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Da passarela ao véu: a trajetória inesperada de uma jovem brasileira que conquistou o coração da internet

PorFrancesco Sibilla

28 de novembro de 2025 ,

Se alguém encontrasse Kamila Rodrigues Cardoso alguns anos atrás, provavelmente veria apenas uma jovem linda, confiante, caminhando rumo a uma carreira promissora no mundo da moda. Mas por trás das luzes, dos ensaios e das poses ensaiadas, havia uma alma inquieta — uma menina de Minas Gerais carregando um silêncio que ninguém via.

Hoje, aos 21 anos, o Brasil inteiro a conhece como irmã Eva, e seu sorriso sereno aparece nos celulares de milhares de pessoas todos os dias. Basta um vídeo dela nas ruas de Goiânia, oferecendo terços com carinho, para que o público pare e escute. Não pela imagem, mas pela paz que ela transmite.

O que muita gente não sabe é que essa paz nasceu de um caminho difícil. Kamila perdeu o pai aos nove anos, e aquela ausência cresceu com ela. Mesmo quando começou a modelar — viajar, desfilar, sonhar alto — havia um peso dentro do peito. Ansiedade, tristeza, aquela sensação de que algo estava fora do lugar. A moda dava visibilidade, mas não dava sentido.

Até que um dia, sentada numa igreja, ela viu uma freira. Uma mulher simples, sem maquiagem, sem joias, mas com uma luz tão forte que Kamila não conseguiu desviar o olhar. Foi ali que ela sentiu, pela primeira vez, que talvez Deus estivesse lhe chamando pelo nome.

Aos 18 anos, no momento em que muitos escolhem uma faculdade, ela escolheu um novo caminho. Deixou a carreira, os amigos, a rotina — até o nome. Entrou para a congregação Sancta Dei Genitrix, independente da Igreja Católica Romana, e se tornou irmã Eva, um nome que para ela representa um recomeço, não um passado.

Hoje, quando aparece sorrindo no TikTok, maquiada com delicadeza, ela não faz isso por vaidade. Faz porque acredita que entregar o melhor de si também é uma forma de oração. “Quero ser bonita para Jesus”, diz com uma sinceridade que desmonta qualquer preconceito.

E mesmo recebendo elogios, flertes e propostas românticas nas redes, ela responde sempre com a mesma calma:
“Meu coração já tem dono. Permaneço fiel ao meu esposo: Jesus.”

Talvez seja isso que faz tanta gente se encantar por ela: não a mudança de profissão, mas o gesto corajoso de seguir uma voz interior, mesmo quando o mundo inteiro esperava outra coisa.

Sua história lembra que, às vezes, Deus não muda a gente de lugar.
Ele muda a gente por dentro — e só depois mostra o caminho.

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