qui. jan 15th, 2026

Conheça um prato tradicional da culinária camponesa do Vêneto

Você já ouviu falar em pastin? Se a resposta for não, tudo bem, você não está sozinho. Fora das montanhas do Vêneto, esse nome ainda soa misterioso. Mas basta uma mordida para entender por que o pastin é muito mais do que um prato típico: ele é uma pequena aula de história servida com polenta quente.

Pouco conhecido fora da província de Belluno, o pastin é um daqueles segredos bem guardados da culinária italiana. Um prato simples, direto, sem enfeites, que nasceu da necessidade e acabou se transformando em símbolo gastronômico de uma região inteira.

Para entender o pastin, é preciso voltar no tempo e sentir o frio. Nas comunidades camponesas das montanhas, o inverno era rigoroso e o abate do porco, entre novembro e dezembro, marcava um momento essencial do ano. Era quando se preparavam alimentos para sobreviver aos meses gelados.

Depois de separar as partes que seriam curadas e conservadas, sobravam cortes menores, aparas e pedaços que precisavam ser consumidos rapidamente. O que fazer com eles? A resposta foi simples e genial: moer as carnes, misturá-las com carne bovina, temperar com alho, sal, pimenta e algumas especiarias… e levar direto ao fogo.

Assim nasceu o pastin: uma preparação fresca, parecida com uma linguiça, mas sem tripa. Um prato pensado para ser feito e comido no mesmo dia. Prático, nutritivo e profundamente ligado à vida no campo.

Curiosamente, há registros de receitas semelhantes já na Idade Média, nos vales de Belluno. E, como acontece com quase toda comida de tradição oral, cada lugar resolveu dar seu próprio toque.

No Cadore, no Agordino ou na Val di Zoldo, o pastin muda um pouco: mais alho aqui, um toque de vinho ali, especiarias diferentes acolá. Nada radical, só o suficiente para que cada vale reconheça o “seu” pastin.

Geralmente moldado em discos achatados, quase como hambúrgueres rústicos, o pastin vai para a grelha ou para a frigideira até formar uma crosta dourada por fora, mantendo o interior macio e suculento.

Existe também uma tradição antiga que costuma causar surpresa, de comer o pastin cru, passado no pão. Hoje, porém, a versão grelhada é a mais comum e querida.

Não dá para falar de pastin sem falar de polenta. Quente, amarela e reconfortante, ela é a companhia inseparável desse prato nas montanhas. Juntos, eles formam uma refeição simples, mas completa, daquelas que aquecem o corpo e dão vontade de ficar mais um pouco à mesa.

Além da polenta, o pastin também aparece ao lado de cogumelos, batatas, queijos locais ou apenas pão rústico. É presença garantida em festas populares, encontros familiares e celebrações de inverno.

Hoje, o pastin continua firme e forte. Saiu das cozinhas camponesas e ganhou espaço em rifugi alpinos e restaurantes próximos às pistas de esqui. Depois de horas no frio, ele chega à mesa exatamente como foi pensado séculos atrás: simples, quente e reconfortante.

Talvez seja esse o maior charme do pastin. Ele não tenta impressionar, nem se reinventar. Apenas continua contando a mesma história… de inverno, montanha, reaproveitamento e sabor.

E agora que você já ouviu falar nele… vai ficar difícil esquecer.

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