sáb. fev 14th, 2026

Capri reage ao turismo excessivo para proteger o equilíbrio da ilha mais glamourosa da Itália

Capri decidiu apertar o freio. Um dos destinos mais icônicos da Itália acaba de
aprovar novas medidas para conter o overtourism, o turismo de massa que, em
determinados períodos, coloca em risco o equilíbrio da ilha. A partir da
próxima temporada, grupos organizados com mais de 40 pessoas não poderão mais
visitar a ilha, uma regra pensada para reduzir o caos nas ruas estreitas,
portos e pontos mais disputados.

A decisão foi aprovada por unanimidade pela prefeitura de Capri, sob a liderança do prefeito
Paolo Falco, e segue uma tradição antiga de defesa do território.
Já nos anos 1950 e 1960, Capri foi pioneira ao impor normas curiosas para
proteger sua identidade, como o veto a tamancos barulhentos, rádios em alto
volume e piqueniques improvisados em áreas verdes.

Hoje, o desafio é outro e muito maior. Em alguns dias do verão, a ilha chega a
registrar até 50 mil passagens diárias entre chegadas e partidas, com
concentração extrema em poucas horas. O novo regulamento tenta organizar esse
fluxo: além do limite de participantes, grupos com mais de 20 pessoas deverão
usar fones de ouvido para ouvir os guias, que também terão regras claras para
manter os visitantes unidos, em segurança e sem ocupar todo o espaço das vias.

Capri não está sozinha nessa batalha. O overtourism se tornou um tema central em
toda a Itália. Cidades como Veneza, Florença e Roma discutem limites,
contribuições de acesso e novas formas de distribuir visitantes ao longo do
ano. A lógica é a mesma: proteger moradores, serviços e patrimônios que fazem
esses lugares únicos.

No caso de Capri, o desafio é ainda mais delicado. A ilha é sinônimo de beleza
natural e charme mediterrâneo: os Faraglioni, a Grotta Azzurra, os
mirantes de Anacapri e a famosa Piazzetta continuam atraindo viajantes
do mundo inteiro. Mas é justamente essa combinação de paisagem, exclusividade e
história que precisa ser preservada.

As novas regras não querem afastar turistas, mas mudar o ritmo da visita.
Capri tenta lembrar que viajar não é apenas chegar, fotografar e partir. É
também respeitar o lugar. Em tempos de turismo acelerado, a ilha aposta na
qualidade da experiência para garantir que sua beleza continue sendo um
privilégio, e não uma vítima do próprio sucesso.

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