O primeiro dia da BIT Milano 2026 encerrou-se com um cenário consistente e alinhado às expectativas da véspera. Mais do que um evento de representação, a feira confirmou seu perfil operacional, no qual o valor concentrou-se na qualidade das interações profissionais, e não na intensidade da visibilidade.
A movimentação registrada na jornada inaugural manteve-se estável em relação às edições recentes. O fluxo de visitantes foi contínuo, sem picos significativos, sustentado por uma presença profissional constante e qualificada. Buyers, operadores e representantes institucionais privilegiaram encontros previamente agendados, limitando o espaço para visitas exploratórias e reforçando o caráter estratégico das agendas.
Segundo dados divulgados pela organização, o número de expositores internacionais superou 1.000, com presença de mais de 40 países. O dado reforçou a vocação internacional da BIT, ainda que em um formato mais seletivo do que em anos anteriores: observou-se uma redução de participações estritamente promocionais e uma maior concentração em mercados estratégicos e relações de médio e longo prazo, evidenciando uma curadoria mais criteriosa dos participantes.
Mais do que o volume total, destacou-se a composição do público. Houve menos visitantes ocasionais e uma maior incidência de perfis com poder decisório, elemento que consolidou o posicionamento da BIT Milano como uma plataforma B2B em estágio de maturidade e foco negocial.
No que se refere ao Brasil, não houve registro de participação como expositor oficial no catálogo disponível do evento. O país apareceu mencionado nos mercados internacionais envolvidos e em circuitos associados aos programas de buyers, mas sem a identificação de estande próprio ou de presença institucional formal, o que indicou uma atuação mais indireta no ambiente da feira.
Esse modelo de participação sugeriu uma estratégia orientada ao relacionamento qualificado e ao networking direcionado, em detrimento da promoção tradicional em feira — uma abordagem coerente com uma edição marcada por uma internacionalização seletiva, mais do que expansiva.
O ambiente: pragmatismo em pauta
O tom predominante foi de pragmatismo. Nas reuniões e conversas de bastidores, sobressaíram temas recorrentes: atenção às margens, sustentabilidade tratada como exigência operacional e não como discurso, e a necessidade de uma segmentação mais rigorosa de mercados e públicos. A eficiência comercial e a previsibilidade de resultados também estiveram no centro das discussões.
O otimismo existiu, mas de forma contida. O setor demonstrou consciência de atravessar uma fase de consolidação, na qual o crescimento deixou de ser automático e passou a depender de decisões mais criteriosas, planejamento estruturado e alianças estratégicas.
Sem anúncios de grande impacto, o primeiro dia da BIT Milano 2026 ofereceu uma leitura clara do momento vivido pelo turismo: um setor ativo, atento e seletivo. A internacionalização permaneceu como eixo central, mas expressou-se de maneira mais direcionada, refletindo um mercado que optou por priorizar a qualidade das conexões em vez de sua quantidade.

