Existem exposições que se atravessam com o olhar. E existem outras que pedem algo mais raro: tempo, silêncio, disponibilidade interior. A grande mostra dedicada a Beato Angelico, em cartaz em Florença até 25 de janeiro de 2026, pertence claramente a esta segunda categoria. Não é apenas uma celebração artística, mas um convite a desacelerar, a observar com atenção, a reconhecer que a arte, quando é verdadeiramente grande, não se impõe ela espera.
Foram necessários quatro anos de trabalho intenso, pesquisa acadêmica, restaurações e negociações internacionais para tornar possível um projeto que ocupa duas sedes simbólicas da cidade: o Palazzo Strozzi, no coração do centro histórico, na Piazza degli Strozzi, e o Museu de San Marco, na Piazza San Marco, número 3, a poucos passos do antigo convento dominicano onde o próprio Beato Angelico viveu e trabalhou. Dois lugares distintos, mas unidos por um mesmo fio invisível: devolver unidade a uma obra que o tempo havia fragmentado.
Mais de 140 trabalhos entre pinturas, desenhos, miniaturas e esculturas constroem um percurso que acompanha toda a trajetória do frade pintor, dos primeiros anos ainda marcados pela herança tardogótica até a maturidade plena, quando sua pintura se abre à luz, à perspectiva e a um humanismo profundamente espiritual. Não se trata de uma simples retrospectiva. É uma recomposição histórica e, sobretudo, interior. Retábulos desmontados e dispersos há mais de duzentos anos voltam a dialogar, permitindo ao visitante compreender o pensamento visual de um artista que nunca separou arte e fé.
O valor científico da mostra é evidente, mas o impacto maior é humano. Beato Angelico nunca pinta apenas o divino isolado do mundo. Ele pinta a relação, o limiar, o encontro entre o sagrado e o humano. Seus personagens não dramatizam, não gritam, não encenam. Eles habitam o silêncio. Parar diante de um de seus rostos é aceitar um outro ritmo, quase esquecido, em que a contemplação ainda tem espaço.
O percurso expositivo também revela o diálogo constante com seus contemporâneos. Pintores como Lorenzo Monaco, Masaccio e Filippo Lippi, escultores como Ghiberti, Michelozzo e Luca della Robbia surgem não como comparações forçadas, mas como presenças necessárias para entender um Quattrocento florentino vivo, plural, atravessado por tensões e experimentações. Um período em que nada estava ainda completamente definido, e talvez por isso mesmo fosse tão fértil.
A dimensão internacional da mostra é reforçada pelos empréstimos excepcionais vindos de instituições como o Louvre, o Metropolitan Museum of Art de Nova York, a National Gallery de Washington, os Museus Vaticanos, a Gemäldegalerie de Berlim e o Rijksmuseum de Amsterdã. Um evento dessa escala não acontecia há setenta anos, desde a última grande monográfica dedicada ao artista. Uma ausência longa, quase injusta, que Florença agora corrige com rigor e sensibilidade.
No Palazzo Strozzi, o visitante percorre as etapas da carreira de Beato Angelico em um ambiente expositivo pensado para a leitura histórica e estilística da obra. O palácio recebe o público diariamente, com horários que variam conforme o período do ano, geralmente entre a manhã e o início da noite, permitindo visitas prolongadas e sem pressa. Já no Museu de San Marco, aberto tradicionalmente em horário diurno, a experiência muda de tom. Aqui, as obras retornam aos espaços para os quais foram concebidas. A pintura deixa de ser apenas objeto de observação e volta a ser presença. Museu e lugar espiritual se confundem, e o olhar se torna quase um gesto íntimo.
Os ingressos podem ser adquiridos separadamente para cada sede ou em formato combinado, com valores variáveis entre bilhetes inteiros e reduzidos. As informações atualizadas sobre preços, horários específicos e eventuais gratuidades estão disponíveis nos canais oficiais das duas instituições, recomendados especialmente em períodos de alta visitação.
Em um tempo que exige velocidade constante, essa mostra faz um movimento oposto. Ela não corre. Ela permanece. E talvez seja exatamente isso que a torna necessária. Porque a arte de Beato Angelico não ocupa espaço: ela cria profundidade. No tempo, no olhar, e para quem aceita parar também dentro de si.
Informações úteis
Locais da exposição
Palazzo Strozzi – Piazza degli Strozzi, Florença
Museu de San Marco – Piazza San Marco, 3, Florença
Período
Exposição aberta até 25 de janeiro de 2026
Os ingressos podem ser adquiridos online nos sites oficiais das instituições que sediam a exposição. A opção mais recomendada é o site da Fondazione Palazzo Strozzi, onde é possível comprar os bilhetes e verificar valores, horários atualizados e eventuais combinações com outras exposições:
www.palazzostrozzi.org
Para a visita ao Museu de San Marco, os ingressos também podem ser comprados diretamente pelo circuito oficial dos museus estatais italianos:
www.cultura.gov.it (seção Musei e Biglietti)
Ambos os canais oferecem informações oficiais, seguras e atualizadas, especialmente importantes em períodos de grande procura.




