ter. fev 3rd, 2026

As exposições de arte imperdíveis na Itália em 2026 

O ano de 2026 se anuncia como um tempo a ser vivido sem pressa, com o olhar treinado para o assombro e a agenda marcada por datas que pedem para ser anotadas. A Itália, mais uma vez, confirma-se como um grande museu a céu aberto: cidades históricas, palácios e instituições contemporâneas constroem uma narrativa contínua que atravessa séculos e linguagens.

Em Veneza, como um pulso que marca o ritmo da arte global, retorna a Biennale Arte di Venezia, de 9 de maio a 22 de novembro de 2026. Não é apenas uma exposição, mas um estado de espírito: entre os Giardini e o Arsenale, caminha-se literalmente dentro do presente, entre visões políticas, poéticas e radicais. A Bienal é sempre uma promessa cumprida pela metade e é exatamente aí que mora o seu fascínio.

De Veneza a Florença o trajeto é curto, mas a mudança de atmosfera é profunda. No Palazzo Strozzi, de 14 de março a 23 de agosto de 2026, o silêncio da cor domina uma grande retrospectiva dedicada a Mark Rothko. Suas telas não se observam: atravessam-se. No coração da cidade do desenho e da perspectiva, Rothko torna-se experiência emocional pura, quase meditativa.

Milão, em 2026, vibra em sintonia com os grandes eventos internacionais. No Palazzo Reale di Milano, de 7 de fevereiro a 27 de setembro de 2026, a exposição monumental de Anselm Kiefer impõe um confronto direto com a história, a memória e a matéria. Aqui, a arte não consola: escava, estratifica, queima e reconstrói.

Ainda em Milão, ao longo da primavera e do verão de 2026, a fotografia assume papel central com um amplo foco dedicado a Robert Mapplethorpe, em diálogo com outros mestres do século XX. Entre corpos, flores e contrastes extremos, a mostra reflete sobre estética, identidade e limite.

Roma responde com um tom mais íntimo e visionário. No MAXXI, atè a 26 de abril de 2026, uma exposição dedicada a Franco Battiato revela o artista em sua dimensão mais transversal: não apenas músico, mas pensador, pintor e explorador espiritual. Um percurso que é, ao mesmo tempo, exposição e meditação.

E então voltamos a Veneza, onde, nas Gallerie dell’Accademia di Venezia, de 6 de maio a 19 de outubro de 2026, a energia do corpo se transforma em linguagem com Marina Abramović. Aqui, a performance torna-se memória, vestígio e resistência. Não há espetáculo, mas presença e o visitante sai transformado, ainda que de maneira quase imperceptível.

Assim é 2026: um ano que não pede velocidade, mas permanência. Um calendário que convida a entrar nas exposições como se entra em uma boa história, sabendo que a melhor arte não é a que se consome rapidamente, mas a que permanece como um pensamento que volta dias depois.

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