ter. jan 13th, 2026

Aposentadoria? Pra ela, só depois do próximo café. Conheça a Nonna barista!

Há quem conte a vida em anos e quem a conte em gestos. Anna Possi pertence à segunda categoria. Em Nebbiuno, pequena cidade às margens do Lago Maggiore, o tempo começa às sete da manhã, quando uma estufa é acesa, e ganha aroma às sete e meia, quando a máquina de café entra em funcionamento. Atrás daquele balcão, há 66 anos, está sempre ela. Aos 101 anos recém-completados, Anna Possi é a barista mais idosa da Itália. Mas chamá-la apenas de recordista seria pouco.

Seu aniversário não foi uma celebração nostálgica, mas viva, compartilhada, feita de rostos, conversas e xícaras apoiadas no balcão. Ela comemorou no lugar onde sempre viveu seus dias: o Bar Centrale de Nebbiuno. Ao redor, a família, começando pela filha Cristina e pela neta Erika, que prepararam sua torta preferida, a de maçã, seguindo a receita dela. Um gesto simples, como tudo o que Anna gosta. Porque ela prefere a medida certa, a constância, a presença.

Para Anna, rotina não é prisão, é liberdade. Todos os dias chega ao bar às sete em ponto. Prepara tudo, espera. Se entra um cliente, ela está ali. Se alguém chega apenas para conhecê-la, também. Pessoas vêm de longe, inspiradas por sua história, e ela recebe todas com o mesmo sorriso. “Dizem que eu recarrego as pessoas, sem precisar ir à farmácia”, brincou em uma entrevista. E basta olhar para ela para entender que é verdade.

Anna nunca buscou fama. Ri quando falam disso. Diz que, se tivesse cobrado um euro por cada foto tirada com visitantes, hoje seria rica. Mas esse nunca foi seu jeito. Filha de donos de restaurante em Vezzo, no norte do Piemonte, começou a trabalhar ainda jovem, em tempos difíceis, quando durante a guerra se cozinhava polenta para os partigiani escondidos dos nazistas. Depois vieram Novara, Gênova e, por fim, Nebbiuno. Sempre o mesmo fio condutor: comida, trabalho, pessoas.

Nos anos 1970, quando o Bar Centrale abriu, era um ponto moderno: fliperamas, jukebox, jovens passando as tardes entre jogos e músicas. Anna já estava ali. Preparando cafés, chocolates, ouvindo histórias. O bar nunca deixou de ser um ponto de referência, nem para moradores, nem para turistas. Até hoje, quando chegam estrangeiros, ela encontra um jeito de ajudar, recorrendo ao Google Tradutor se for preciso. Porque o essencial é compreender, não a língua.

Ela come pouco, de forma simples. Chá e um pedaço de torta de maçã no café da manhã, um pouco de massa, fruta ou queijo no almoço, sopa de legumes à noite. “Mas sempre muito pouco”, faz questão de dizer. Seu verdadeiro segredo, porém, não está na alimentação. Está na convivência, no contato diário com as pessoas, no sentimento de utilidade. É isso que lhe dá força para abrir o bar todas as manhãs e fechar no início da noite, sem férias, nunca, nem no Natal ou no Ano-Novo. “E se alguém precisar?”, pergunta.

Desde os 65 anos sua vida segue o mesmo ritmo. Ainda assim, às vezes sonha com o futuro. Uma viagem, talvez em cinco anos, quando a filha se aposentar. Seria a primeira vez longe de Nebbiuno. Um sonho dito com leveza, como tudo nela. Porque Anna Possi não desafia o tempo: ela convive com ele. E todos os dias o serve em uma xícara de café.

Serviço

Bar Centrale
Piazza del Municipio
28010 Nebbiuno (NO)

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