dom. nov 30th, 2025

A Primeira casa de Pier Paolo Pasolini reabre em Roma e vira novo polo cultural

A casa onde Pier Paolo Pasolini viveu seus primeiros anos romanos acaba de renascer como espaço cultural aberto ao público. Localizado em Rebibbia, bairro periférico que marcou profundamente sua obra, o apartamento de via Giovanni Tagliere 3 foi restaurado e reinaugurado após ser adquirido e doado ao Ministério da Cultura italiano. Agora, abre de quinta a domingo, com entrada gratuita e atividades também transmitidas online.

Para a cultura italiana, este espaço não é apenas uma casa restaurada, mas um símbolo. Pasolini (1922–1975) foi poeta, romancista, cineasta, dramaturgo e um dos intelectuais mais brilhantes e controversos do século XX. Com obras como Ragazzi di vita, Accattone, Mamma Roma, Il Vangelo secondo Matteo e os ensaios políticos que estremeceram a Itália, ele retratou com coragem e poesia a periferia, os excluídos, a linguagem popular e a violência social. Sua morte brutal em 1975 transformou-o em mito e sua voz segue viva no debate cultural europeu.

Foi justamente nesta casa, onde viveu com a mãe entre 1951 e 1954, que Pasolini escreveu Ragazzi di vita, romance que revolucionou a literatura italiana ao dar protagonismo às borgate de Roma. Aqui, ele se sentia – como escreveu em Il pianto della scavatrice – “no centro do mundo”. Um centro que não era o da Roma monumental, mas o da vida real, dura e vibrante da periferia.

A reabertura celebra também esse olhar. Para marcar a inauguração, foi apresentada a exposição fotográfica A verdade não está em um só sonho, mas em muitos sonhos. As casas de Pasolini em Roma, que percorre os lugares, percursos e paixões do autor. A leitura de poemas por Alessandro Preziosi emocionou moradores que acompanhavam até pelas janelas da pequena praça.

Transformada agora em polo permanente de cultura, a casa promete se tornar referência para quem deseja compreender o pensamento de Pasolini e, ao mesmo tempo, a alma profunda das periferias romanas. Um espaço que devolve identidade a um bairro muitas vezes estigmatizado e que reaproxima Roma – e o mundo – de um dos seus artistas mais visionários.

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