dom. jan 4th, 2026

A Mole Antonelliana: ícone de Turim que atravessa o tempo 

No perfil urbano de Turim, a Mole Antonelliana se impõe como uma frase longa e vertical, escrita em tijolos e luz. Não é apenas um edifício: é uma declaração de identidade. Há mais de um século e meio, sua silhueta esguia acompanha as transformações da cidade, observando em silêncio as fases industriais, os sonhos culturais e as renascenças urbanas.

Projetada em 1863 pelo arquiteto Alessandro Antonelli, a Mole nasce como templo e se torna símbolo, atravessando mudanças de função, controvérsias, restaurações e impulsos visionários. Com seus 167 metros, durante décadas foi a construção em alvenaria mais alta da Europa, um primado que revela a ambição de uma Turim oitocentista, capital sabauda suspensa entre o rigor e a ousadia.

Mas é no diálogo com o tempo que a Mole revela sua natureza mais autêntica. Hoje, em seu interior, o Museu Nacional do Cinema transforma a ascensão vertical em uma viagem narrativa: das origens da sétima arte às instalações imersivas, o olhar sobe enquanto a história flui. No topo, o elevador panorâmico se abre para a cidade como uma pausa para respirar: os telhados ordenados, o rio Pó refletindo a luz, o arco alpino emoldurando o horizonte.

A Mole não é um monumento imóvel. À noite, torna-se tela urbana, lanterna cívica, mensagem compartilhada. Ilumina-se para eventos, datas comemorativas e causas sociais. Participa, comenta, toma posição. É um símbolo que comunica, capaz de falar aos turineses e a quem chega de longe.

Em uma época em que as cidades buscam sinais reconhecíveis, a Mole Antonelliana permanece um ícone atemporal — não porque não mude, mas porque sabe mudar sem deixar de ser ela mesma. Vertical como uma ideia, leve como uma intuição, continua a lembrar que a arquitetura, quando é verdadeira, transforma-se em narrativa coletiva.

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