Existe um paradoxo na Itália de hoje que já não pode ser ignorado. O país que ensinou ao mundo o valor da dieta mediterrânea e de um estilo de vida equilibrado se mostra cada vez mais frágil, mais solitário e mais exposto às doenças crônicas. É isso que revela o Relatório Osservasalute 2025, que traça um retrato preocupante da saúde dos italianos.
Menos de um em cada cinco italianos segue de fato a dieta mediterrânea. Um dado simbólico e alarmante, sobretudo porque esse modelo alimentar continua sendo referência mundial em saúde e sustentabilidade. Enquanto o mundo olha para o Mediterrâneo, os italianos se afastam dele. O excesso de peso e a obesidade atingem quase metade da população.
Somam-se a isso hábitos cada vez mais prejudiciais, como o consumo excessivo de álcool, o tabagismo e o uso crescente do cigarro eletrônico entre jovens. O padrão de consumo alcoólico se distancia do modelo tradicional e se aproxima de práticas mais arriscadas, concentradas nos fins de semana e fora das refeições. Até mesmo adolescentes entram nessa estatística, evidenciando a fragilidade das políticas de prevenção.
O aumento das doenças crônicas acompanha esse cenário. A hipertensão afeta milhões de pessoas, especialmente idosos. Doenças osteoarticulares impactam principalmente as mulheres e comprometem a qualidade de vida de uma população que envelhece rapidamente.
Os idosos, por sua vez, vivem cada vez mais sozinhos e com apoio insuficiente no dia a dia. Essa solidão revela um descompasso entre necessidades reais e respostas do sistema de saúde e assistência social.
O relatório aponta ainda que a Itália investe menos em saúde pública do que outros países europeus e da OCDE. Mesmo com aumentos nominais, os recursos não acompanham a inflação nem o crescimento da demanda. Com isso, cresce o peso da saúde no orçamento das famílias, enquanto o sistema público perde capacidade de resposta.
A redução do número de profissionais de saúde e as dificuldades estruturais do sistema agravam o quadro. Após o impacto da pandemia, a recuperação segue lenta e desigual, levantando dúvidas sobre a capacidade futura do sistema de bem-estar social.
O retrato final é o de um país que precisa decidir se continuará se afastando de seus próprios princípios de saúde ou se fará da prevenção e do investimento público uma prioridade real. Porque saúde não é apenas uma escolha individual, mas um compromisso coletivo.

