qua. jan 7th, 2026

A Italia pode revolucionar o voto dos italianos no exterior já em 2026




A Italia poderia trazer uma revolução para o voto dos italianos no exterior já por ocasião do próximo referendo sobre a reforma da Justiça em agenda este ano. O governo aprovou um passo político que reabre um debate sensível e antigo para milhões de cidadãos que vivem fora da Itália: o possível fim do voto por correspondência e a introdução do voto presencial em consulados e embaixadas.

O Executivo italiano aprovou uma ordem do dia vinculada à Lei de Orçamento, dedicada especificamente ao tema do voto dos italianos no exterior. A iniciativa foi apresentada pelo deputado Andrea Di Giuseppe (Fratelli d’Italia, direita), eleito na circunscrição do exterior, repartição América do Norte e Central.

O texto compromete o governo a avaliar a superação do atual sistema de voto postal, orientando-se para um modelo baseado em locais físicos de votação, organizados e controláveis, instalados em consulados, embaixadas ou estruturas por eles garantidas, em linha com o que já ocorre nas eleições europeias dentro da União Europeia.

O objetivo declarado é reforçar as garantias democráticas e assegurar igualdade de direitos entre todos os cidadãos italianos, independentemente do local de residência. Segundo os defensores da proposta, o voto por correspondência apresenta fragilidades estruturais, como riscos de irregularidades, extravio ou interceptação das cédulas, além da dificuldade de garantir que o voto seja realmente pessoal e secreto. Soma-se a isso o custo elevado do sistema, estimado em cerca de 60 milhões de euros a cada consulta eleitoral, e o impacto operacional sobre a rede consular.

Ao mesmo tempo, o tema ganha urgência porque a mudança poderia ser aplicada já no referendo constitucional sobre a reforma do sistema judiciário, previsto para a primavera. Em caso de aprovação definitiva da reforma, os eleitores no exterior deixariam de votar de casa e passariam a se deslocar fisicamente até os pontos de votação definidos pelas autoridades diplomáticas.

O deputado Andrea Di Giuseppe comemorou a decisão do governo e destacou o que considera um marco histórico. “Finalmente foi colocada a primeira pedra na reforma do voto dos italianos residentes no exterior, pondo fim ao voto postal”, declarou em vídeo publicado nas redes sociais.

“Com a ordem do dia que apresentei ontem, o governo assumiu a responsabilidade pela reforma do voto dos italianos no exterior, na direção de permitir o voto presencial nos consulados, nas embaixadas ou nos postos organizados pelos consulados. Considero este um passo fundamental, aguardado há décadas. Trata-se de um exercício de coerência constitucional e de credibilidade por parte da comunidade no exterior, que há anos pedia essa reforma. Depois da lei sobre o IMU e da carteira de saúde, este compromisso também foi cumprido”. 



A proposta, no entanto, divide o cenário político. O comitê do exterior do Partido Liberaldemocrático manifestou posição contrária, alertando para o risco de exclusão de parte significativa do eleitorado. Para o partido – escreve a agência AISE – a eliminação do voto postal obrigaria muitos cidadãos a percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros para votar, especialmente em países com grandes distâncias geográficas, o que poderia levar à renúncia ao direito de voto. 



O partido lembra que o voto por correspondência foi introduzido em 2003 justamente para garantir participação ampla aos italianos residentes fora dos grandes centros urbanos. Para o Liberaldemocrático, a mudança provocaria uma queda inevitável na participação eleitoral, num momento em que a abstenção já cresce a cada eleição. Em vez de restringir, a legenda defende que o Estado incentive o voto, inclusive por meio de novas tecnologias, como o voto eletrônico, considerado mais adequado às comunidades italianas no exterior, cada vez mais numerosas e dispersas.

Enquanto o Partido Liberaldemocrático declara apoio ao “sim” no referendo constitucional de 2026, o comitê do exterior afirma que seguirá acompanhando de perto a evolução da iniciativa governamental. O debate está aberto e promete ser central nos próximos meses, pois toca diretamente no equilíbrio entre segurança do processo eleitoral e o direito efetivo de participação democrática de mais de cinco milhões de italianos que vivem fora da Itália.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *