ter. fev 17th, 2026

Mais um escândalo envolve brasileiros em pedidos de cidadania italiana irregulares, desta vez na Sicília

Inquérito na Sicília apura propinas por cidadania italiana
Um novo escândalo envolvendo pedidos de cidadania italiana por descendência colocou sob investigação autoridades e servidores públicos na província de Agrigento, na Sicília.

A Procuradoria local pediu a prisão de um prefeito, um vice-prefeito, funcionários municipais, policiais, um advogado e responsáveis por duas agências privadas. Ao todo, 22 pessoas são investigadas. O juiz de primeira instância negou as prisões, mas o Ministério Público recorreu ao Tribunal do Reexame.

Segundo a acusação, centenas de brasileiros teriam sido levados à região para obter a cidadania italiana por meio de um suposto esquema organizado. O sistema envolveria documentos falsos, contratos de aluguel fictícios e facilitação administrativa em municípios como Camastra, Comitini, Porto Empedocle, Aragona, Naro, Raffadali e Siculiana.

De acordo com a investigação conduzida pela Squadra Mobile de Agrigento, os requerentes pagariam entre 3.500 e 5.000 euros para acelerar o reconhecimento da cidadania e, assim, obter livre circulação na Europa. As duas agências investigadas teriam gerenciado todas as etapas do processo, desde o transporte dos brasileiros até a acomodação em imóveis alugados, alguns pertencentes a parentes de servidores públicos, além da emissão de declarações de trabalho supostamente irregulares.

No centro das acusações está o prefeito de Camastra, suspeito de ter mantido acordo com um empresário apontado como figura-chave do esquema. Segundo o Ministério Público, o gestor teria recebido vantagens, como hospedagem em hotel e favorecimento a serviços ligados a familiares, em troca de facilitar a localização de imóveis e agilizar trâmites administrativos. O prefeito declarou ser totalmente alheio às acusações e afirmou confiar na Justiça para o esclarecimento dos fatos.

O caso também gerou repercussão política em Comitini. Conselheiros municipais de oposição pediram o afastamento coletivo da junta administrativa como gesto de responsabilidade institucional. Em nota, defenderam a necessidade de oferecer à população um sinal concreto de transparência e compromisso público, mesmo respeitando o princípio da presunção de inocência.

A investigação lança luz sobre fragilidades no processo de reconhecimento da cidadania ius sanguinis, mecanismo jurídico que garante o direito a descendentes de italianos independentemente do local de nascimento. Para milhares de brasileiros que buscam o reconhecimento legítimo da cidadania, o episódio reforça a importância de transparência e rigor institucional em um procedimento que, quando conduzido de forma correta, representa o resgate de uma herança familiar e histórica.

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