Pequena no mapa e discreta no imaginário internacional, a Basilicata viveu em 2025 um ano de virada no turismo.
A região do sul da Itália superou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de
chegadas, consolidando um crescimento que vai além do efeito pontual de um
evento ou de um destino isolado. Para quem acompanha a Itália fora dos roteiros
óbvios, é o sinal de que algo mudou.
Os números apresentados na Bolsa Internacional do Turismo, em Milão, mostram um
salto consistente: 1,035 milhão de visitantes e cerca de 2,83 milhões de
pernoites ao longo do ano. O avanço é significativo tanto na comparação com
2019, quando Matera foi Capital Europeia da Cultura, quanto em relação a 2024. Mais do que um
recorde estatístico, os dados indicam que o turismo se tornou um eixo estrutural
da economia regional.
Parte desse sucesso vem de uma estratégia clara: diversificar os atrativos e
distribuir os fluxos. Matera segue como principal porta de entrada, com seus
Sassi escavados na rocha e um centro histórico único no mundo. Mas não está mais
sozinha. O litoral do Metapontino, com praias amplas e menos congestionadas, e a
faixa do Mar Tirreno passaram a atrair um público interessado em natureza,
tranquilidade e autenticidade.
Outro fator decisivo foi a valorização das áreas internas. Vilarejos, parques
naturais e experiências ligadas à gastronomia e ao turismo lento começaram a
ganhar espaço, especialmente fora da alta temporada. Mesmo com números absolutos
menores, essas zonas registraram crescimentos percentuais relevantes, mostrando
uma expansão mais equilibrada dos fluxos turísticos.
O perfil do visitante também ajuda a explicar o momento positivo. Cerca de
68% dos turistas são italianos, base sólida da demanda, mas o turismo
internacional cresce em ritmo acelerado. França, Estados Unidos, Alemanha,
Reino Unido e Espanha lideram entre os estrangeiros, com volumes que já superam
os níveis pré-pandemia. Para muitos viajantes, a Basilicata representa uma
Itália menos óbvia, mais autêntica e ainda acessível.
Iniciativas de promoção territorial, melhor organização da oferta e atenção à
qualidade dos serviços completam o quadro. O crescimento não foi impulsionado
por um boom desordenado de novas acomodações, mas por uma consolidação gradual do
produto turístico.
Para o público brasileiro, acostumado a associar a Itália às grandes cidades e
à costa mais famosa, a Basilicata surge como descoberta. Um destino onde cultura,
paisagem e silêncio convivem, e que em 2025 mostrou que também sabe crescer sem
perder identidade.
Basilicata cresce no turismo e supera 1 milhão de visitantes em 2025

