ter. fev 3rd, 2026

Tempestade no sul da Itália aciona emergência expõe fragilidade climática

Tempestade no sul da Itália expõe fragilidade climática e aciona emergência
A Itália iniciou a semana sob o impacto de uma das mais severas emergências climáticas dos últimos anos. Após dias de chuvas intensas, ventos violentos e ondas que chegaram a nove metros de altura, o governo declarou estado de emergência nas regiões do sul do país, especialmente Sicília, Sardenha e Calábria. A decisão, busca acelerar a liberação de recursos e enfrentar danos que já ultrapassam a marca de 1 bilhão de euros.

O episódio começou com a formação de um ciclone mediterrâneo que avançou rapidamente pelo sul da península, fenômeno cada vez mais frequente segundo a Proteção Civil italiana e centros meteorológicos europeus. Em poucas horas, cidades costeiras e áreas do interior foram inundadas, estradas ficaram intransitáveis e sistemas de defesa costeira entraram em colapso.

Na Sicília, a situação foi particularmente crítica. Próximo a Taormina, o mar invadiu ruas e danificou infraestruturas essenciais, incluindo estações de tratamento de água, levantando alertas para os impactos na próxima temporada turística. Em Catânia, parte do calçadão à beira-mar cedeu com a força das ondas.

Já no interior da ilha, a cidade de Niscemi vive um cenário dramático: um deslizamento de terra com frente de cerca de quatro quilômetros segue ativo e forçou a retirada de mais de 1.500 moradores. “O inteiro morro está desabando sobre a planície de Gela”, alertou Fabio Ciciliano, chefe da Proteção Civil italiana, após uma vistoria técnica. Segundo ele, muitos dos evacuados não poderão retornar às próprias casas e será necessário um plano de realocação definitiva. A área mais afetada permanece isolada, à espera do escoamento das águas para que seja possível avaliar com precisão os danos estruturais.

A Sardenha também registrou cenas impressionantes. Em Capoterra, no sul da ilha, o prefeito Beniamino Garau afirmou que o mar avançou cerca de 100 metros para o interior, destruindo estruturas costeiras e áreas residenciais. Na Calábria, região historicamente mais vulnerável do ponto de vista socioeconômico, o governo regional relatou “grandes danos às atividades agrícolas”, com impactos diretos sobre a economia rural.

Diante da gravidade do quadro, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni destinou inicialmente 100 milhões de euros para atender às necessidades mais urgentes. O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, afirmou que novas medidas interministeriais serão adotadas nos próximos dias para permitir a reconstrução de estradas, serviços públicos e atividades produtivas. Apenas na Sicília, as autoridades regionais estimam prejuízos de ao menos 740 milhões de euros, valor que, segundo o governador Renato Schifani, pode dobrar.

Apesar da extensão dos estragos, não há registro de vítimas fatais. Autoridades atribuem esse resultado aos alertas preventivos emitidos antes da chegada da tempestade, que convenceram a população a permanecer em casa. Ainda assim, o episódio reacende o debate sobre a vulnerabilidade do território italiano diante de eventos climáticos extremos. Nos últimos anos, enchentes e deslizamentos têm se tornado mais frequentes, atingindo inclusive áreas antes consideradas de baixo risco.

O caso de Niscemi traz à memória uma tragédia semelhante ocorrida em 1997, quando uma grande frana devastou bairros inteiros da cidade. À época, investigações apontaram problemas de planejamento urbano em área sujeita a restrições geológicas. Quase três décadas depois, muitos moradores vivem novamente o mesmo pesadelo.

Enquanto equipes técnicas seguem monitorando o terreno e o governo discute soluções de longo prazo, a emergência no sul da Itália se impõe como mais um sinal de alerta. Entre reconstrução, reassentamento de famílias e adaptação às mudanças climáticas, o país enfrenta o desafio de proteger comunidades inteiras diante de um clima cada vez mais imprevisível.

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