ter. jan 13th, 2026

O gosto global surpreende: um queijo grego em primeiro lugar, a Itália domina o top 10

Falar de queijo é falar de território, memória e emoção. E é por isso que chama atenção e provoca debate o fato de que, segundo a comunidade global do TasteAtlas, o melhor queijo do mundo hoje não é italiano nem francês, mas grego. No topo do ranking Top 100 Cheeses in the World está a Graviera de Naxou, seguida de perto pelo Parmigiano Reggiano. Mais do que um veredicto definitivo, trata-se de um retrato fiel do gosto contemporâneo.

O TasteAtlas, um atlas gastronômico digital baseado em avaliações de milhões de usuários ao redor do mundo, não premia técnica acadêmica, mas experiências reais. E talvez seja exatamente isso que explique o resultado: em uma era em que comida é vivência e identidade, vence quem emociona.

No primeiro lugar está a Graviera de Naxou, produzida na maior ilha das Cíclades. Diferente da maioria dos queijos gregos, é feita principalmente com leite de vaca pasteurizado, ou com uma mistura de leite de ovelha e uma pequena porcentagem de leite de cabra. A maturação confere uma textura firme, porém elástica, e um sabor equilibrado, levemente adocicado e nunca agressivo. Versátil, pode ser consumida pura, frita ou ralada, o que contribuiu para seu sucesso internacional.

Em segundo lugar aparece o Parmigiano Reggiano, símbolo absoluto da gastronomia italiana. De massa dura e estrutura granulosa, apresenta um perfil aromático que evolui com o tempo: notas lácteas nas versões jovens e aromas complexos de frutas secas, especiarias e umami nas mais envelhecidas. Produzido em uma área rigorosamente delimitada entre Emília-Romanha e Lombardia, é resultado de séculos de tradição e saber artesanal.

O pódio se completa com o Queijo de Azeitão, especialidade portuguesa feita com leite cru de ovelha e coalho vegetal de cardo. Extremamente cremoso, intenso e levemente ácido, é tradicionalmente consumido abrindo-se a casca e retirando a pasta com colher, geralmente acompanhado de vinhos brancos aromáticos.

Logo abaixo, em quarto lugar, está a Mozzarella di Bufala Campana DOP, ícone da excelência italiana. Produzida com leite de búfala mediterrânea em áreas específicas do sul da Itália, destaca-se pela textura elástica, brilho externo e interior suculento. É rica em proteínas, cálcio e sabor, especialmente quando consumida fresca, poucas horas após a produção.

Fechando o top 5 surge outra grega, a Graviera de Creta, feita com leite de ovelha ou mistura de ovelha e cabra. De sabor equilibrado, levemente adocicado, com notas de manteiga e frutas secas, é um dos queijos mais consumidos da Grécia depois da feta e vem conquistando cada vez mais espaço fora do país.

Do sexto ao décimo lugar, o ranking continua celebrando a tradição europeia: o Queijo Serra da Estrela (Portugal), o Pecorino Sardo e a Burrata (Itália), o Kefalograviera (Grécia) e o francês Saint-Félicien, todos profundamente ligados aos seus territórios.

Vale reforçar: esta não é uma classificação feita por críticos, mas por consumidores de todo o mundo. O TasteAtlas busca reduzir votos enviesados, mas o resultado final não representa uma verdade absoluta e sim um retrato vivo, atual e global do gosto contemporâneo. E talvez seja exatamente isso que a torne tão interessante.

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