qui. jan 8th, 2026

Befana e a magia dos Befanini na Toscana e o sabor da tradição

PorGIanna Sordili

5 de janeiro de 2026 , , ,

Na Toscana, janeiro não começa em silêncio. Começa com forno ligado, mesa enfarinhada e mãos trabalhando sem pressa. Entre o dia 8 de dezembro e a madrugada da Epifania, 6 de janeiro, um ritual se repete há gerações: preparar os Befanini, biscoitos simples, coloridos e cheios de significados que encerram o período natalino com doçura e memória.

Eles não são apenas comidos. São pendurados em barbantes, colocados dentro de meias, oferecidos às crianças e compartilhados como um gesto de afeto. Cada fornada é um pequeno lembrete de que, na Toscana, comida também é linguagem.

Muito antes de serem associados à Befana, a figura mítica que distribui doces ou carvão na noite da Epifania, os Befanini já existiam como parte de um momento crucial do ano. O início de janeiro marcava uma grande transição: o fim do ano solar, o descanso da terra após as colheitas e a espera por um novo ciclo agrícola.

Era um tempo suspenso, quase mágico, em que se encerrava o que foi vivido e se preparava o que ainda viria. Com o passar dos séculos, essa herança pagã se misturou ao cristianismo e passou a dialogar com a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. O resultado? Um biscoito que simboliza encerramento, renovação e esperança tudo isso em uma mordida crocante.

Se existe algo que define os Befanini, é a liberdade. Eles são reconhecidos não por um formato específico, mas justamente pelo contrário: pela multiplicidade de formas.

Estrelas, meias, flores, bonequinhos, símbolos inventados na hora. Cada família cria os seus. Cada criança deixa sua marca. Não há dois Befanini exatamente iguais e é isso que os torna tão especiais.

Os confeitos coloridos não são um detalhe decorativo: são parte da identidade do doce. Eles trazem alegria, contraste e um toque quase infantil que transforma o preparo em um momento coletivo, passado de geração em geração, longe de qualquer técnica sofisticada de confeitaria.

Os ingredientes contam muito sobre a origem desses biscoitos. Nada de excessos. Apenas o essencial: farinha de trigo, açúcar, ovos, manteiga, leite, raspas de limão e um elemento quase obrigatório na tradição toscana, um toque de licor, como rum ou anis.

O fermento aparece em pouca quantidade, porque a massa precisa ser aberta bem fina. O objetivo não é maciez extrema, mas delicadeza e leve crocância. Algumas receitas antigas trocam a manteiga por azeite de oliva, revelando uma Toscana rural, prática e profundamente conectada à terra.

Como todo doce tradicional, não existe uma receita definitiva. Em Florença, os Befanini são mais amanteigados. Em outras áreas, ganham aromas de anis ou baunilha. Às vezes surgem cerejas cristalizadas, outras vezes amêndoas açucaradas. Cada variação conta uma história.

Talvez o segredo dos Befanini não esteja na receita, mas no tempo dedicado a eles. Tempo de deixar a massa descansar. Tempo de cortar, decorar, esperar o forno. Tempo de estar junto.

Eles são feitos quando o ano desacelera, quando as festas estão acabando, mas o desejo de celebrar ainda permanece. São o último doce do calendário natalino e, ao mesmo tempo, o primeiro gesto de carinho do ano que começa.

Na região de Florença, eles são mais ricos em manteiga. Nas vilas mais antigas, o azeite de oliva é quem dá a estrutura. Mas a essência é a mesma: uma massa fina, crocante e cheia de personalidade.

A Alquimia:

  • A Base: 500g de farinha, 300g de açúcar e 200g de manteiga.
  • O Aroma: Raspas de 1 limão siciliano, 100g de açúcar baunilhado e meio copo de um bom licor.
  • A Liga: 4 ovos na massa + 1 para o brilho final + meio copo de leite.
  • O Pulo do Gato: Uma pitada de sal e um sachê de fermento.

O Ritual:
Bata os ovos com o açúcar até dobrar de volume. Incorpore os secos e os líquidos até formar uma massa sedosa. Paciência aqui: ela precisa de 30 minutos de frio na geladeira para ganhar alma.

Depois? Abra o mais fino que conseguir, convoque a família, corte as formas mais loucas que sua imaginação permitir, pincele com ovo, jogue cores por cima e leve ao forno a 180°C por 15 minutos.

Por que você deve fazer isso hoje?

Porque o Befanini é o antídoto para a perfeição artificial das redes sociais. Ele é real, é torto, é colorido e é delicioso. É o biscoito que não quer ir para a prateleira, ele quer ir para dentro de uma meia de lã, para o barbante da árvore ou direto para o seu café.

E aí, qual licor você usaria para dar o seu toque “secreto” nessa receita? Rum, Anis ou talvez um toque de Amaretto? Conta aqui nos comentários!

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