sex. jan 9th, 2026

Vêneto sobre duas rodas: a Itália que se descobre pedalando

Há um Vêneto que não se limita a ser observado, mas que se deixa atravessar lentamente, no compasso da respiração e do movimento das pernas. Em 2025, a região confirmou com clareza uma vocação que já não é promessa, mas realidade concreta: o cicloturismo como elo entre esporte, paisagem e cultura. Pedalar pelo Vêneto hoje significa percorrer uma malha cada vez mais estruturada de rotas seguras e bem sinalizadas, pensadas tanto para ciclistas experientes quanto para quem busca um turismo acessível, familiar e humano.

Das planícies cortadas por rios tranquilos às colinas moldadas pela história, até as montanhas que fecham o horizonte, a bicicleta se torna o meio ideal para entrar em contato com um território complexo e generoso. Assim, cidades de arte como Venezia, Verona e Padova deixam de ser apenas destinos e passam a ser etapas naturais de uma viagem que privilegia o tempo, a observação e a descoberta.

Entre os percursos que melhor traduzem essa filosofia está a ciclovia Treviso–Ostiglia, nascida da recuperação de uma antiga linha ferroviária. Hoje, ela representa um dos exemplos mais bem-sucedidos de mobilidade sustentável na Itália. A pedalada é fluida, plana, quase meditativa. O ciclista atravessa campos cultivados, bosques silenciosos e pequenos vilarejos que parecem convidar a paradas espontâneas. O trajeto acompanha sem pressionar, sugerindo pausas, sabores locais, igrejas discretas e paisagens que mudam lentamente, quilômetro após quilômetro.

Se a planície convida à calma, a montanha chama para o desafio. Na província de Belluno, a Via dei Due Laghi coloca à prova o corpo e recompensa o olhar. Ligar o Lago de Santa Croce ao Lago de Alleghe é entrar no coração da Valbelluna, onde as Dolomitas não são pano de fundo, mas protagonistas absolutas. O esforço faz parte da experiência, assim como o silêncio, o ar puro e os refúgios que surgem como portos necessários. É um percurso que fala com quem busca emoção autêntica e com quem quer compreender o verdadeiro significado de pedalar em um ambiente alpino vivo e profundamente ligado às suas tradições.

Há também um Vêneto que se percorre seguindo caminhos de espiritualidade. O Caminho de Santo Antônio de bicicleta liga Gemona a Padova atravessando territórios distintos em forma e história, unidos pela ideia de viagem lenta. Pedalar por esse itinerário não é apenas deslocar-se, mas atravessar séculos de devoção, vilarejos acolhedores e campos que parecem suspensos no tempo. É um trajeto que convida à reflexão, alternando esforço físico e contemplação, devolvendo ao cicloturismo uma dimensão interior muitas vezes esquecida.

No centro dessa rede, Padova se afirma como ponto estratégico e simbólico. A cidade investiu de forma consistente em infraestrutura cicloviária, conexões verdes e serviços dedicados, tornando-se referência para quem explora o Vêneto sobre duas rodas. Não por acaso, entre 27 e 29 de março de 2026, a cidade sediará a Fiera del Cicloturismo, evento nacional que reúne viajantes, profissionais e territórios. Um encontro que vai além da exposição e traduz uma visão: o cicloturismo como motor econômico, cultural e sustentável.

O Vêneto de 2025 pedala rumo ao futuro sem perder contato com sua identidade. Em cada ciclovia, em cada vilarejo atravessado, existe a ideia de um turismo que valoriza em vez de consumir, que observa em vez de correr. E talvez seja justamente essa a sua maior força: oferecer uma forma diferente de viajar, onde o caminho importa mais do que a chegada.

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