Roma, fronteira entre dor, sonho e renascimento
Embora o coração do filme de Paolo Sorrentino pulse em Nápoles, com sua vitalidade caótica, afetiva e popular, Roma aparece como o lugar onde a vida muda de direção — onde a dor encontra o sonho e o sonho encontra a arte, num espaço em que a experiência pessoal se cruza com a possibilidade de criação.
Quando Fabietto chega à cidade, Roma é silêncio e promessa: as ruas de Trastevere, com seus passos ecoando entre fachadas antigas, os ângulos clássicos da Piazza del Popolo e o entorno mítico de Cinecittà, carregado de memória cinematográfica, parecem acolher sua busca por identidade, oferecendo ao jovem tanto contemplação quanto expectativa.
Roma surge como território de passagem, mas também de transformação. É aqui que o protagonista vislumbra o futuro possível, onde o cinema deixa de ser admiração distante e se torna vocação concreta, quase um chamado. A cidade, com sua luz melancólica de fim de tarde, seus vazios e monumentos, oferece abrigo sem jamais prender, como se dissesse que cada reinício exige coragem para ir embora e aceitar a incerteza do próximo passo.
Assim, Roma aparece não como destino final, mas como ponte: a ponte entre quem somos, moldados pela origem e pela perda, e quem ousamos ser quando escolhemos transformar a experiência vivida em gesto artístico.
Locais icônicos: Trastevere – Piazza del Popolo – Cinecittà
Direção: Paolo Sorrentino
Elenco: Filippo Scotti, Toni Servillo
Ano: 2021

