Para quem visita Roma nestes dias, o início de novembro reserva uma oportunidade especial: conhecer a tradição mexicana do Día de los Muertos em pleno centro histórico da capital italiana. No dia 1º de novembro de 2026, às 18h30, a Praça Barberini será o ponto de partida do desfile das Catrinas e dos Catrines, que seguirá até a Praça del Popolo. Um cortejo de trajes, rostos pintados e música transformará a lembrança dos que partiram em uma celebração coletiva.
O evento, anunciado pela Embaixada do México na Itália, terá acompanhamento musical do Mariachi Romatitlán e da Estudiantina da Universidade Autônoma de Querétaro. O convite se estende às famílias romanas e aos visitantes, que poderão conhecer uma cultura na qual a memória de quem morreu permanece presente no cotidiano.
As grandes protagonistas do desfile serão as Catrinas, figuras esqueléticas de elegância teatral, reconhecidas pelos grandes chapéus e pela maquiagem elaborada. Ao lado delas estarão os Catrines, com trajes formais e cartolas. Personagens que recorrem à ironia para transmitir uma ideia universal: diante da morte, as diferenças sociais perdem o significado.
Para compreender essa festa, porém, é preciso ir além do espetáculo das máscaras. O coração do Día de Muertos é a ofrenda, o altar preparado para acolher simbolicamente o retorno dos entes queridos. Fotografias, velas, pratos e flores de cempasúchil compõem uma narrativa familiar feita de gestos concretos: recordar um sabor, preservar uma imagem, continuar a dizer um nome.
Em Roma, essa dimensão íntima encontrará o espaço público. A passagem do cortejo entre as praças Barberini e del Popolo oferecerá a oportunidade de se aproximar da tradição mexicana por meio da participação, acompanhando sua música e observando seus símbolos.
Entre os cenários monumentais da capital italiana, o desfile trará uma reflexão que ultrapassa fronteiras: a lembrança pode se transformar em um momento de encontro. E uma festa dedicada aos mortos pode revelar, com extraordinária intensidade, o vínculo entre quem fica e quem foi amado.

