Itália registra novo mínimo histórico de natalidade, com menos bebês e famílias

A Itália enfrenta uma crise demográfica cada vez mais profunda. Em 2025, o país registrou 355.772 nascimentos, cerca de 14 mil a menos do que no ano anterior, uma queda de 3,8%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat) nesta quarta-feira (21). O número equivale a aproximadamente seis nascimentos por mil habitantes e confirma uma tendência de declínio que se prolonga há quase duas décadas.

Em comparação com 2008, quando nasceram mais de 576 mil crianças, a redução chega a 38,3%, ou mais de 220 mil nascimentos a menos por ano. A queda também se reflete na fecundidade: em 2025, a média recuou de 1,18 para 1,14 filho por mulher, o menor nível já registrado na série estatística italiana.

Os primeiros dados provisórios de 2026 indicam que a tendência continua. Entre janeiro e julho, foram registrados 196.864 nascimentos, uma redução de 1,1% em relação ao mesmo período de 2025. Embora o ritmo de queda tenha desacelerado, o número permanece negativo.

Menos filhos e maternidade cada vez mais tardia

A redução dos nascimentos está relacionada a dois fatores: há menos pessoas em idade de ter filhos e a disposição para se tornar mãe ou pai também diminuiu. As mulheres que hoje estão entre 30 e 40 anos, faixa etária responsável por mais de 65% dos nascimentos, pertencem a gerações que já cresceram em um período de baixa fecundidade.

A decisão de ter filhos também é influenciada por dificuldades econômicas e sociais, como a instabilidade no emprego, os custos da moradia e os desafios para conciliar trabalho e vida familiar. O prolongamento dos estudos e o adiamento dos projetos pessoais contribuem para que a maternidade e a paternidade aconteçam mais tarde ou sejam postergadas indefinidamente.

Em 2025, diminuíram os nascimentos de primeiros filhos (-3,7%), segundos filhos (-4,8%) e crianças de terceira ordem ou superior (-2,1%). A redução dos primeiros e segundos filhos foi mais acentuada no sul da Itália.

Quase metade dos bebês nasce fora do casamento

Outra mudança importante diz respeito aos modelos familiares. Em 2025, 44,1% dos bebês nasceram de casais não casados, contra 43,2% em 2024. Foram 156.874 nascimentos fora do casamento, enquanto os nascimentos de casais casados somaram 198.898, com queda anual de 5,4%.

A proporção de crianças nascidas fora do casamento aumentou 24,4 pontos percentuais desde 2008. No Centro da Itália, pela primeira vez, mais da metade dos bebês nasceu de pais não casados: 50,1%. O dado mostra que o matrimônio deixou de ser uma etapa necessária para uma parcela crescente dos casais que decidem formar uma família.

Também cresce a escolha pelo sobrenome duplo, que reúne os nomes de pai e mãe. Em 2025, 7,3% dos recém-nascidos receberam os dois sobrenomes, ante 6,7% no ano anterior. A prática é mais frequente no Centro-Norte: alcançou 10,2% no Noroeste, 8% no Nordeste e 9% na região central. No sul, a proporção foi de 3,5%, e nas ilhas, de 4,2%.

O papel dos estrangeiros e dos casais mistos

Os nascimentos diminuíram tanto entre pais italianos quanto entre pais estrangeiros. Crianças de dois pais italianos representaram 77,4% do total, com 275.330 nascimentos, uma queda de 4,8% em relação a 2024. Entre casais em que ambos os pais são estrangeiros, foram registrados 49.002 nascimentos, 3,1% a menos em um ano.

Já os casais mistos, formados por um cidadão italiano e outro estrangeiro, seguiram na direção contrária: tiveram 31.440 filhos em 2025, um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior e de 11,8% na comparação com 2012.

Os números mostram que a imigração e a diversidade das famílias contribuem para a dinâmica demográfica italiana, mas não são suficientes para compensar a queda geral da natalidade.

O desafio, portanto, vai além do número de nascimentos. O envelhecimento da população e a redução das gerações mais jovens têm consequências para o mercado de trabalho, a sustentabilidade do sistema previdenciário e a organização dos serviços públicos.

Os dados do Istat apontam para uma transformação estrutural: a Itália tem menos crianças, famílias cada vez mais diversas e uma população em idade reprodutiva progressivamente menor.

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