Panetone italiano: produtores lançam manifesto para proteger sua autenticidade nos mercados internacionais

O panetone é um dos símbolos mais reconhecidos do Made in Italy, apreciado em todo o mundo. Na Itália, seu consumo se concentra principalmente no período natalino, enquanto no Brasil o doce está presente nas mesas durante o ano inteiro. Com a expansão dos mercados internacionais e o crescimento da produção de confeitaria no exterior, os produtores decidiram promover um manifesto e uma marca voltados à proteção da identidade e da autenticidade desse ícone da tradição italiana.

Surge, assim, uma colaboração entre especialistas em fermentação natural, associações do setor e instituições, com o objetivo de tornar mais transparente a origem dos ingredientes e fortalecer a produção agrícola italiana. Trata-se de um compromisso conjunto para proteger a autenticidade das matérias-primas e promover nos mercados internacionais a qualidade e o conhecimento artesanal que caracterizam a tradição italiana, tanto na produção artesanal quanto na industrial.

Uma colaboração estratégica entre produtores e associações torna-se, portanto, fundamental. Cada vez mais, chegam ao mercado produtos que remetem ao panetone italiano, mas que são fabricados no exterior e apresentados com referências à Itália, podendo gerar confusão entre os consumidores. É uma dinâmica semelhante à que já ocorre com o Parmigiano Reggiano e outros produtos típicos italianos, frequentemente expostos à concorrência de imitações nos mercados internacionais.

No centro da iniciativa está a revisão do Decreto Ministerial de 22 de julho de 2005, com a proposta de introduzir as denominações oficiais “Panettone Italiano” e “Panettone Italiano 100% Filiera Agricola”. O projeto também prevê a utilização de sistemas digitais de rastreabilidade, destinados a certificar a origem das matérias-primas e garantir que os ingredientes sejam cultivados e processados integralmente em território italiano.

A proposta surge em uma fase de crescimento significativo do setor, marcada por números que demonstram a dimensão internacional desse fenômeno. Como foi destacado durante a convenção, o mercado mundial de panetones movimenta mais de 2 bilhões de euros, mas mais de 60% da produção e do consumo estão atualmente concentrados fora da Itália, segundo dados das Câmaras de Comércio no Exterior compilados pela Aepi. No campo comercial, as empresas italianas exportam anualmente produtos de panificação de longa fermentação, incluindo panetones, pandoros e outras especialidades, por um valor aproximado de 500 milhões de euros, com mais de 13.500 toneladas destinadas aos mercados internacionais. Enquanto isso, a produção mundial ultrapassa 350 mil toneladas por ano e inclui produtos elaborados com métodos e receitas que, muitas vezes, se distanciam da tradição italiana.

Em um cenário no qual os concorrentes estrangeiros conquistam cada vez mais espaço, a introdução de novas regras pretende reforçar a ligação entre o panetone e sua cadeia agrícola de origem, protegendo o valor das matérias-primas italianas e oferecendo apoio concreto às exportações das empresas nacionais, tanto artesanais quanto industriais.

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