Consumo de vinho cresce 41,9% no Brasil, enquanto Itália registra forte queda

O desempenho brasileiro contrasta com o cenário de alguns dos principais consumidores mundiais. Na Itália, o consumo recuou 9,4%, passando de 2,27 bilhões para 2,02 bilhões de litros. A queda corresponde a 210,5 milhões de litros a menos em apenas um ano, a maior redução entre os países analisados.
Nos Estados Unidos, o consumo diminuiu 4,2%, com uma redução de 141,6 milhões de litros. A Alemanha, importante mercado para os vinhos italianos, registrou queda de 4,3%, enquanto China e França também apresentaram retração, de 13% e 3,2%, respectivamente.
No total, o mundo consumiu 569,5 milhões de litros a menos em 2025 na comparação com o ano anterior. O resultado reforça os desafios enfrentados pela indústria vinícola, especialmente em mercados tradicionais, onde a demanda vem perdendo força.
O Brasil, por outro lado, ganha importância na estratégia internacional dos produtores italianos. Além do crescimento do consumo interno, o país está entre os mercados acompanhados de perto pelo setor diante das perspectivas abertas pelo acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Os números das importações também apontam nessa direção. No primeiro semestre de 2026, o Brasil comprou vinhos italianos no valor de 20,1 milhões de euros, crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período de 2025. Embora o volume financeiro ainda esteja distante daquele registrado nos mercados tradicionais, a evolução reforça o potencial brasileiro para os exportadores da Itália.
O avanço não se limita ao Brasil. Entre os países que registraram aumento do consumo em 2025 estão a Geórgia, com alta de 28,1%; a Romênia, com 11%; o México, com 24,8%; e Portugal, com 5,6%.
Em um mercado mundial que perdeu espaço em volume, esses resultados ajudam a identificar novos polos de demanda. Para os produtores italianos, o Brasil aparece como uma oportunidade relevante: um mercado em expansão que pode ganhar ainda mais peso à medida que as relações comerciais entre Europa e América do Sul se aprofundem.
