Alguns automóveis deixam de ser apenas meios de transporte e passam a representar uma época. O desenho da carroceria, o tipo de motor, os detalhes do acabamento e até a forma como foram utilizados ajudam a reconstruir capítulos da história da indústria automobilística. Para quem acompanha o universo dos carros antigos, encontrar diferentes modelos reunidos em um mesmo espaço é também uma oportunidade de observar como os automóveis evoluíram ao longo das décadas.
É justamente essa relação entre memória, design e engenharia que estará no centro da exposição Divina Macchina, que acontece no dia 26 de setembro, das 9h às 18h, no pátio do Colégio Dante Alighieri, na Alameda Jaú, 1061, no Jardim Paulistano, em São Paulo. Com entrada gratuita, a edição de 2026 reúne 44 automóveis e 20 motocicletas de diferentes nacionalidades e períodos, criando um verdadeiro encontro entre gerações do automobilismo.
Entre os veículos apresentados estão exemplares italianos, americanos e alemães, além de motocicletas que também ajudam a contar a evolução da mobilidade sobre duas rodas. Entre os destaques desta edição estão as antigas Station Wagons, modelos que durante décadas foram associados à vida familiar. Com carroceria alongada, amplo espaço interno e grandes porta-malas, essas peruas foram concebidas para transportar pessoas e bagagens com praticidade.
Durante os anos 1980, tornaram-se especialmente populares entre famílias que buscavam um automóvel capaz de combinar espaço e funcionalidade. Com o passar do tempo, porém, minivans e SUVs ocuparam esse espaço no mercado, e as Station Wagons perderam presença nas ruas.
Para os apaixonados por carros antigos, entretanto, elas ganharam outro significado. Hoje, esses veículos despertam interesse justamente por representarem uma época específica do automóvel familiar e por reunirem características que se tornaram cada vez mais raras. Entre os exemplares expostos está o Buick Roadmaster Estate, de 1993, importado dos Estados Unidos. O carro representa uma das interpretações mais emblemáticas das grandes Station Wagons americanas. Outro destaque é o Vista Cruiser, de 1970, produzido pela Oldsmobile, marca pertencente ao grupo General Motors. Seu desenho e suas proporções ajudam a compreender a identidade das peruas americanas daquele período.
A presença americana também aparece no Dodge Kingsway, equipado com motor de seis cilindros em linha, 3,6 litros e 98 cv. O carro remete à tradição dos grandes automóveis dos anos 1950, quando dimensões generosas, motores de maior cilindrada e uma forte identidade visual faziam parte da cultura automobilística dos Estados Unidos. Para colecionadores e admiradores da história automotiva, veículos como o Kingsway permitem observar não apenas uma máquina, mas também a forma como a indústria refletia os hábitos e o estilo de vida de sua época.
Outro automóvel que chama atenção é o Ford Taurus SW, de 1994, apresentado em duas versões que remetem a diferentes momentos de sua trajetória. Uma delas aparece na tradicional pintura amarela inspirada nos táxis de Nova York. A outra reproduz a configuração de viatura policial, lembrando a utilização do veículo por forças de segurança norte-americanas durante a década de 1990. A escolha das duas versões mostra como um mesmo automóvel pode assumir funções distintas e adquirir identidades completamente diferentes conforme seu contexto de uso.
Entre os automóveis italianos, o Alfa Romeo Duetto ocupa um lugar especial. A exposição reúne três exemplares do clássico: um branco de 1968, um azul também de 1968 e um vermelho de 1969. O Duetto ficou marcado principalmente pelo desenho desenvolvido pelo Studio Pininfarina, referência mundial quando se fala em design automotivo italiano. Mais do que um esportivo, o carro tornou-se parte da cultura automobilística italiana e permanece reconhecido por suas linhas, proporções e personalidade.
Para os apaixonados pelo antigomobilismo, reunir três exemplares de anos próximos, mas em diferentes cores, permite observar de maneira ainda mais clara a força estética de um automóvel que se transformou em um clássico.
Nem toda memória automotiva, porém, está ligada aos carros de passeio. Um dos veículos que também merece atenção é o Chevrolet 1962 utilizado como ônibus escolar. Completamente restaurado e mantido em sua configuração original, ele representa uma parte importante da memória de gerações de estudantes que utilizaram esse tipo de transporte. Sua presença na mostra evidencia como o patrimônio automobilístico também pode estar ligado ao cotidiano. Um veículo desse tipo não é apenas uma peça histórica: carrega histórias pessoais, lembranças e experiências compartilhadas por diferentes gerações.
A reunião de modelos tão distintos transforma a exposição em uma espécie de viagem pela evolução do automóvel. Dos grandes carros americanos dos anos 1950 às Station Wagons, passando pelo Ford Taurus, pelo Alfa Romeo Duetto e pelo antigo ônibus escolar, cada veículo representa uma etapa diferente dessa trajetória.
Para colecionadores, restauradores e admiradores de carros clássicos, a importância está justamente nos detalhes. Preservar um automóvel antigo significa conservar uma tecnologia, um desenho industrial e uma forma de fabricar e utilizar veículos que já não existem da mesma maneira.
A edição de 2026 também conta com a colaboração de Adriano Consentino, presidente do Alfa Romeo Clube do Brasil; Elias Haddad, presidente do Mercedes-Benz Clube de São Paulo; além de Julio Penteado e Marco Pigossi.

