Em 2050, casais sem filhos serão maioria na Itália, prevê o Istat

Hoje, a Itália tem cerca de 7,5 milhões de casais com filhos. Em 2050, esse número deverá cair para 5,8 milhões, enquanto os casais sem filhos passarão de 5,4 milhões para 5,9 milhões. No Centro, a inversão está prevista para 2044. No Sul, os casais com filhos ainda deverão permanecer à frente até o fim do período analisado.
A mudança não significa apenas que os italianos estão tendo menos filhos. O próprio envelhecimento da população pesa nessa conta: muitos casais permanecem juntos depois que os filhos deixam a casa, formando o chamado “ninho vazio”. Ao mesmo tempo, as novas gerações são menores devido à baixa natalidade registrada no país há décadas.
A transformação das famílias acontece dentro de uma mudança demográfica ainda maior. Segundo o Istat, a população italiana deverá cair dos 58,9 milhões de habitantes em 2025 para 55 milhões em 2050. Se a tendência continuar, em 2080 o país poderá ter apenas 45,8 milhões de residentes. Seriam mais de 13 milhões de habitantes a menos em 55 anos. O envelhecimento também será acelerado. A idade média da população, atualmente em 46,9 anos, deverá ultrapassar 51 anos em 2050. Nesse mesmo ano, as pessoas com 65 anos ou mais representarão cerca de 34,5% da população, contra 24,7% atualmente.
Outra consequência dessa transformação será o aumento das pessoas que moram sozinhas. O Istat estima que elas passem de 10 milhões em 2025 para 11,6 milhões em 2050, o equivalente a 42% das famílias.Entre os idosos, o crescimento será ainda mais significativo. Em 2050, cerca de 6,6 milhões de pessoas com 65 anos ou mais poderão viver sozinhas. Entre os maiores de 75 anos, serão aproximadamente 4,7 milhões, dos quais 3,4 milhões serão mulheres. Também devem crescer as famílias formadas por apenas um dos pais. A projeção aponta para um aumento de 2,8 milhões para 3,3 milhões de núcleos monoparentais até 2050.
A redução da população não acontecerá com a mesma intensidade em todo o território italiano. O Norte ainda poderá crescer ligeiramente nos próximos anos, mas depois também começará a perder habitantes. O cenário mais preocupante é o do Mezzogiorno, o Sul italiano. A população da região poderá cair de 19,7 milhões em 2025 para 16,7 milhões em 2050 e apenas 12,3 milhões em 2080.
No fim, a Itália projetada pelo Istat será bastante diferente da atual: menos habitantes, mais idosos, menos famílias com filhos e mais pessoas vivendo sozinhas. Uma mudança que já começou e que, segundo as projeções demográficas, deverá marcar profundamente o país nas próximas décadas.
