Histórias de Famílias Italianas no Brasil: Do Vêneto ao Brasil, a história da família Crescenzio e de Arturo Pietri e Emma Crescenzio – Parte 1

Queridos leitores, estamos de volta à nossa coluna dedicada às histórias das famílias italianas que emigraram para o Brasil.

Histórias de amor, esperança e coragem. Histórias de homens e mulheres que, um dia, decidiram deixar sua terra, suas tradições e seus costumes para buscar um futuro melhor, uma nova vida, um sonho a ser construído do outro lado do oceano.

Cada família carrega consigo uma viagem diferente, feita de partidas, encontros, sacrifícios e novas raízes. E hoje embarcamos mais uma vez juntos, seguindo os passos daqueles que tiveram a coragem de atravessar o oceano para recomeçar. Embarquem comigo: o navio Garibaldi nos espera.

Era 13 de dezembro de 1921 quando cinco membros da família Crescenzio embarcaram no navio a vapor Garibaldi para deixar definitivamente a Itália, a bordo estavam Antonio Natale Crescenzio, de 50 anos, sua esposa Maria Luigia Cappello, de 46 anos, e seus filhos Pietro Luigi, de 24 anos, Emma, de 21 anos, e Lino Romano, de apenas 11 anos.

Aquela viagem rumo ao Brasil mudaria para sempre o destino da família.

Também viajavam com eles Arturo Pietri, de 23 anos, e Elsa Giuditta Garbin, de 20 anos, que futuramente se tornaria esposa de Pietro Luigi Crescenzio. Em 1º de janeiro de 1922, o Garibaldi chegou a Santos, no Estado de São Paulo. Era o início de uma nova vida, mas, para alguns deles, não era a primeira experiência no Brasil. Antonio Crescenzio e Maria Luigia Cappello, na verdade, já haviam atravessado o oceano uma primeira vez.

Vinte e quatro anos antes, em 13 de janeiro de 1898, haviam chegado a Santos a bordo do navio a vapor Minas, levando consigo o pequeno Pietro Luigi, que tinha apenas três meses de idade. A família se estabeleceu em São Simão, no interior do Estado de São Paulo, onde permaneceria por alguns anos.

Foi justamente em São Simão que, em 26 de agosto de 1900, nasceu Emma Crescenzio, a futura bisavó de Allan Pietri.

Depois, entre 1901 e 1902, a família fez novamente as malas, desta vez para retornar à Itália. O motivo da partida do Brasil ainda não é conhecido, e tampouco foi possível determinar a data exata do retorno. Existe, porém, uma pista significativa: em um registro de óbito de dezembro de 1902, referente a uma cunhada de Antonio Crescenzio, Antonio aparece como testemunha. Esse documento permite estabelecer que, pelo menos no final de 1902, a família já estava novamente na Itália. Passaram-se quase vinte anos.

A segunda viagem

Em 13 de dezembro de 1921, Antonio, Maria Luigia e seus filhos voltaram para o Brasil. Desta vez, porém, entre os passageiros estava também uma jovem mulher que se tornaria uma figura central na história familiar de Allan: Emma Crescenzio. Ao lado dela viajava Arturo Pietri.

Arturo havia nascido em 29 de junho de 1898, na região de Voltabarozzo, em Pádua. Sua história, ainda antes de chegar ao Brasil, já era muito diferente da história da família Crescenzio. Ele não conhecia seus pais biológicos.

Em seu registro de nascimento constam, de fato, pais desconhecidos. O sobrenome Pietri lhe foi atribuído porque ele nasceu no dia dedicado a São Pedro. Pouco depois de seu nascimento, foi encaminhado ao Instituto dos Expostos de Pádua e, em 18 de agosto de 1898, foi entregue aos cuidados do casal formado por Pasquale Ravarotto, originário de Cinto Euganeo, e Costantina Destro.

Para Arturo, portanto, a busca por suas próprias origens já era uma pergunta que permanecia sem resposta desde o início de sua vida.

Criado longe de sua família biológica, Arturo chegou à idade adulta em uma Itália marcada por grandes transformações. Participou da Primeira Guerra Mundial e, entre 1917 e 1918, também foi prisioneiro de guerra durante aproximadamente um ano. Depois do fim do conflito, estabeleceu-se em Villa Estense.

Então aconteceu aquele encontro a bordo do navio Garibaldi

Segundo a história transmitida pela família, foi justamente durante a viagem rumo ao Brasil que Arturo conheceu Emma Crescenzio. Dois jovens com histórias completamente diferentes se encontraram no meio do oceano, durante uma viagem que mudaria suas vidas. Eles se apaixonaram. Poucos meses depois, em 13 de maio de 1922, Arturo Pietri e Emma Crescenzio se casaram em Nova Europa, no Estado de São Paulo.

Desse casamento nasceram cinco filhos, e a família se estabeleceu no Ipiranga, na cidade de São Paulo. Os últimos anos de suas vidas foram vividos em São Bernardo do Campo, onde os dois também foram sepultados. Arturo morreu em 1968, aos 69 anos. Emma morreria três anos depois, em 1971. Para Allan Pietri, porém, a história deles não permaneceu limitada às fotografias de família. Ela se tornou o ponto de partida de uma pesquisa que já dura sete anos.

Uma pesquisa que o levou a reconstruir não apenas a viagem de seus bisavós, mas também a história de seus pais, avós e de gerações muito mais distantes no tempo.

E foi justamente seguindo os rastros da família Crescenzio que Allan chegou aos Colli Euganei, no Vêneto.

Para conhecer a segunda parte desta história e continuar acompanhando a trajetória da família Crescenzio entre a Itália e o Brasil, convido todos os leitores a continuarem acompanhando o Jornal Italia.

A história de Allan e de seus antepassados não termina aqui. Na segunda parte, vamos conhecer ainda mais profundamente as origens da família e as pesquisas genealógicas que permitiram trazer de volta à luz pessoas, lugares e laços que permaneceram escondidos por gerações.

Até a próxima!

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