IA e redes sociais já influenciam compras: a Gen Z lidera a mudança

Comprar alguma coisa já não começa necessariamente em uma loja, em um shopping ou mesmo em um site de busca. Para uma parcela crescente dos consumidores, a jornada pode começar com um vídeo nas redes sociais, uma recomendação feita por inteligência artificial ou uma pergunta digitada em um chatbot.

Uma análise da McKinsey, baseada em pesquisas realizadas em cinco mercados e repercutida pelo Il Denaro.it, mostra como a tecnologia está redesenhando os hábitos de consumo. Entre os integrantes da Geração Z, 28% já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa durante o processo de compra. Entre os baby boomers, o percentual é de 16%.

A diferença aparece também nas buscas. Cerca de 60% dos jovens da Gen Z usam regularmente os resumos produzidos por IA nos mecanismos de pesquisa, contra 29% entre os baby boomers. Aos poucos, a velha sequência – pesquisar, comparar, visitar sites e decidir – começa a ganhar novos intermediários: algoritmos capazes de filtrar informações, sugerir produtos e organizar opções.

Mas a mudança não está apenas na forma de comprar. Ela também aparece naquilo que as pessoas escolhem consumir. Enquanto o mercado global de bens não essenciais cresceu apenas 0,8% entre 2023 e 2025, o setor das experiências avançou 2,6% no mesmo período. Viagens, lazer e outras formas de consumo ligadas à experiência ganharam espaço no orçamento.

O segmento de turismo – incluindo viagens, passagens e hospedagem – cresceu 4,4% entre 2023 e 2025, mostrando que, mesmo em tempos de maior cautela financeira, muitas pessoas parecem mais dispostas a gastar para viver algo do que simplesmente para acumular mais objetos. É uma tendência que ajuda a explicar o sucesso do turismo de experiência, das viagens gastronômicas, dos eventos e de tudo aquilo que pode ser transformado, literalmente, em uma lembrança.

Outro setor cada vez mais conectado é o da saúde e do bem-estar. Segundo o levantamento, 75% da Gen Z e 73% dos millennials utilizam dispositivos ou ferramentas para acompanhar aspectos da própria saúde, como smartwatches, monitores contínuos de glicose e fitness trackers. Entre a Geração X, o índice cai para 55%, enquanto entre os baby boomers chega a 32%. O corpo, de certa forma, também entrou na era dos dados. Passos, sono, frequência cardíaca e desempenho físico passaram a ser monitorados diariamente por aparelhos que, até poucos anos atrás, pareciam pertencer mais à medicina do que ao cotidiano.

A transformação do consumo, porém, não significa simplesmente comprar mais. Com inflação, custos elevados e orçamentos mais apertados, cresce também uma lógica de reaproveitamento. Segundo a análise, 82% dos consumidores usam seus produtos por mais tempo antes de substituí-los, 69% preferem reparar em vez de descartar e 68% afirmam buscar maneiras de reduzir o desperdício. O mercado de segunda mão também ganhou força: 30% compram roupas usadas, enquanto mais de um quinto faz o mesmo em outras categorias de produtos. Quase metade dos entrevistados afirma ainda realizar por conta própria serviços pelos quais antes pagava.

No fim das contas, o novo consumidor parece viver uma contradição interessante: usa inteligência artificial para escolher melhor, monitora a própria saúde com tecnologia, economiza em produtos e serviços — mas continua disposto a gastar quando acredita que a experiência vale a pena. Talvez essa seja uma das imagens mais claras do consumo em 2026: antes de abrir a carteira, cada vez mais gente pergunta à inteligência artificial se realmente vale a pena.
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