Na Itália, poucos momentos do calendário têm o peso simbólico do Ferragosto. O dia 15 de agosto, associado às férias de verão, às viagens e ao tradicional esvaziamento das cidades, continua sendo um dos grandes momentos do calendário turístico italiano. Mas os hábitos estão mudando: em vez de um único modelo de férias, os italianos estão cada vez mais divididos entre diferentes maneiras de viajar.

Neste Ferragosto, 13 milhões de italianos devem passar alguns dias fora de casa. Segundo o Observatório Longitudinal sobre a Propensão Turística dos Italianos, realizado por Confturismo-Confcommercio e SWG e repercutido pelo portal borsaitaliana.it, cerca de 9 milhões terão uma viagem mais longa, enquanto outros 4 milhões escolherão estadias curtas.

Além disso, 4,5 milhões farão pelo menos uma viagem de um dia, sem passar a noite fora. Os números ajudam a explicar uma transformação que vai além do tradicional êxodo de agosto. As férias italianas estão ficando mais fragmentadas e personalizadas, com diferentes gerações e perfis escolhendo maneiras cada vez mais distintas de aproveitar o verão.

Um dos maiores grupos é o dos viajantes digitais. São aproximadamente 18 milhões de pessoas que escolhem destinos influenciadas por redes sociais, blogs e conteúdos de viagem. Com orçamento médio de 1.389 euros por pessoa, costumam fazer mais de uma viagem durante o verão e valorizam experiências que possam ser descobertas, fotografadas e compartilhadas.

Na outra ponta estão os silver, cerca de 9,5 milhões de italianos com mais de 65 anos. Sete em cada dez fazem pelo menos uma viagem longa durante o verão, frequentemente utilizando uma segunda residência ou hospedando-se na casa de familiares e amigos. Preferem destinos italianos, tranquilidade, bem-estar e experiências culturais, com menor dependência das redes sociais.

Há também os microviajantes, grupo estimado em 7 milhões de pessoas. Em vez das tradicionais férias prolongadas, eles optam por períodos de três a cinco noites, geralmente dentro da Itália. São mais flexíveis nas reservas e recorrem intensamente à internet para organizar viagens de última hora.

O orçamento médio previsto para o verão é de 828 euros por pessoa. O grupo mais jovem aparece também entre os “esterófilos”, aqueles que preferem viajar para fora da Itália. Predominantemente com menos de 35 anos, buscam sobretudo outros países europeus e viagens associadas à descoberta, cultura e novas experiências. O orçamento médio chega a cerca de 1.244 euros por pessoa.

E há, finalmente, os “habituais”: 4,5 milhões de viajantes que fazem praticamente o mesmo percurso todos os anos. São geralmente mais maduros, concentram as férias em agosto e permanecem majoritariamente na Itália, muitas vezes na própria segunda casa.

Para eles, férias significam justamente o contrário da descoberta: descanso, familiaridade e a volta aos lugares conhecidos. O orçamento médio é de 892 euros. O resultado é um retrato interessante de um país que continua parando parcialmente em agosto, mas já não tira férias da mesma maneira. O Ferragosto permanece como uma espécie de ritual coletivo italiano; o que mudou foi a forma de vivê-lo.
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