Depois de semanas marcadas por temperaturas extremas, a Itália se prepara para enfrentar uma nova e prolongada onda de calor. Segundo previsões meteorológicas divulgadas pela imprensa italiana, uma massa de ar quente vinda do norte da África deverá elevar os termômetros muito acima da média para esta época do ano, mantendo o país sob calor intenso por pelo menos duas semanas.
De acordo com o portal especializado iLMeteo, citado pela imprensa italiana, as temperaturas poderão ficar entre 7°C e 8°C acima da média, com máximas de 40°C e 41°C em diversas cidades. Em algumas regiões do centro e do norte do país, o episódio pode até superar a histórica onda de calor de 2003, considerada uma das mais severas já registradas na Europa.
O fenômeno deve atingir seu pico entre o fim de julho e os primeiros dias de agosto. Florença e Terni podem chegar aos 41°C, enquanto cidades como Roma, Milão, Modena, Parma, Ferrara e Reggio Emilia também deverão enfrentar temperaturas próximas ou acima dos 40°C. Em Milão, há expectativa de que o recorde absoluto registrado em agosto de 2003 seja quebrado.
Um dos aspectos que mais chama a atenção dos meteorologistas está longe das cidades. Nos Alpes, a chamada linha de congelamento — altitude em que a temperatura chega a 0°C — deverá subir para cerca de 5 mil metros. Na prática, isso significa que nem mesmo o topo do Monte Branco, a montanha mais alta da Europa Ocidental, deverá registrar temperaturas negativas durante esse período.
A previsão reforça uma tendência observada nos últimos verões italianos. Ondas de calor que antes eram consideradas excepcionais passaram a ocorrer com maior frequência e duração, afetando não apenas o sul, tradicionalmente mais quente, mas também regiões do norte do país, onde temperaturas próximas dos 40°C eram raras até poucos anos atrás.
Os efeitos vão além do desconforto. O calor intenso aumenta a pressão sobre o sistema de saúde, eleva o consumo de energia com aparelhos de refrigeração, favorece incêndios florestais e impacta atividades como agricultura e turismo. Em várias cidades italianas, autoridades costumam emitir alertas para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, recomendando evitar exposição ao sol nas horas mais quentes do dia.
Ainda segundo as previsões, algumas áreas da Sicília e dos Alpes Orientais poderão registrar pancadas isoladas de chuva nos próximos dias, mas a tendência predominante será de céu aberto e calor persistente. Sem mudanças significativas na circulação atmosférica, os meteorologistas acreditam que o bloqueio de alta pressão continuará dominando grande parte da Itália pelo menos até a primeira quinzena de agosto.
Para muitos especialistas, episódios como esse mostram que o clima mediterrâneo está passando por uma transformação acelerada. Verões mais longos, noites cada vez menos frescas e temperaturas típicas do norte da África tornaram-se parte da nova realidade de um país que, ano após ano, vê os recordes de calor serem colocados à prova.
Nova onda de calor pode levar a Itália a 41°C e desafiar recordes históricos

