Da onda de calor aos temporais: Itália vive extremos climáticos em 24 horas e deixam um morto

Nesta sexta-feira, 16 cidades permanecem em alerta vermelho por causa do calor: Bolonha, Brescia, Cagliari, Campobasso, Florença, Frosinone, Gênova, Latina, Milão, Palermo, Perugia, Pescara, Rieti, Roma, Turim e Viterbo. Na Sicília e na Sardenha, especialmente nas províncias de Nuoro, Oristano, Enna, Caltanissetta e Catânia, os termômetros podem chegar aos 45°C, enquanto Florença continua próxima dos 40°C.
Ao mesmo tempo, uma frente fria vinda do Atlântico começou a atingir o Norte da Itália. A Lombardia, onde fica Milão, entrou em alerta laranja para tempestades severas, com previsão de ventos entre 90 e 110 km/h, queda de granizo e chuvas intensas. O município de Milão orientou moradores e turistas a evitarem parques, áreas arborizadas, canteiros de obras e estruturas temporárias devido ao risco de queda de árvores e objetos.
A mudança de cenário já provocou consequências graves. Na Emilia-Romagna, um homem de 68 anos morreu em Bomporto, na província de Modena, após uma colisão frontal durante um forte temporal que reduziu drasticamente a visibilidade. A região registrou rajadas de vento de até 120 km/h, árvores derrubadas, telhados arrancados, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica em diversas cidades. Em Bolonha, Modena, Reggio Emilia e Ferrara, centenas de chamados mobilizaram bombeiros e equipes da Defesa Civil, enquanto vários eventos ao ar livre precisaram ser cancelados por questões de segurança.
Segundo os meteorologistas, essa mudança marca o início do enfraquecimento da massa de ar africana que domina a Itália há semanas. Entre sábado e domingo, a chegada de ar mais frio favorecerá a formação de tempestades ainda mais intensas em parte do Norte e do Centro, antes de provocar uma queda nas temperaturas que poderá chegar a 10°C em algumas regiões.
Para os brasileiros que estão viajando pela Itália, o momento exige atenção redobrada. Quem estiver no Sul deve continuar seguindo os cuidados contra o calor extremo — hidratação constante, evitar caminhadas nas horas mais quentes e acompanhar os alertas do Ministério da Saúde. Já quem estiver em cidades como Milão, Turim, Bolonha ou na Emilia-Romagna deve consultar a previsão antes de sair, já que tempestades de verão podem surgir rapidamente, com ventos muito fortes, granizo e interrupções temporárias no transporte.
Nos últimos dias, o calor extremo já havia provocado preocupação em toda a Europa. Segundo dados do sistema europeu EuroMOMO, o excesso de mortalidade associado às altas temperaturas chegou a cerca de 10 mil mortes no continente nas últimas semanas. Na Itália, as autoridades continuam monitorando os impactos da terceira onda de calor do verão e agora também enfrentam os efeitos de uma mudança climática abrupta, que combina temperaturas recordes com fenômenos meteorológicos cada vez mais intensos.
A alternância entre ondas de calor recordes e temporais violentos é um dos fenômenos que mais preocupam os especialistas. O Mediterrâneo vem registrando temperaturas acima da média, fornecendo mais energia para tempestades intensas quando massas de ar frio conseguem romper o bloqueio do anticiclone africano. O resultado é uma Itália dividida entre o calor sufocante e chuvas extremas, um retrato cada vez mais evidente das mudanças climáticas no sul da Europa.
