As Cinque Terre estão entre os cenários mais fotografados da Itália. As pequenas vilas coloridas penduradas sobre falésias, os vinhedos em terraços e o mar azul da Ligúria transformaram a região em um dos destinos mais desejados da Europa. Mas um novo estudo mostra que esse patrimônio natural e cultural poderá enfrentar desafios significativos nas próximas décadas.
Segundo uma pesquisa internacional citada pelo jornal Il Secolo XIX, o aumento do nível do mar provocado pelas mudanças climáticas poderá impactar de forma crescente o Parque Nacional das Cinque Terre até o final do século e além. As projeções indicam que, até 2150, o mar poderá subir entre 60 centímetros e 1,17 metro ao longo da costa local.
Embora a previsão pareça distante, os efeitos já preocupam especialistas porque a geografia da região deixa pouco espaço entre o mar e as infraestruturas. Diferentemente de outras áreas costeiras mais amplas, as Cinque Terre possuem praias pequenas, portos compactos e uma linha ferroviária que corre praticamente à beira-mar, conectando os cinco históricos vilarejos.
As áreas consideradas mais vulneráveis são Monterosso al Mare e Vernazza, duas das localidades mais visitadas por turistas de todo o mundo. Nesses pontos, o avanço do mar poderá aumentar o risco de alagamentos, erosão costeira e danos às estruturas que sustentam a atividade turística local.
O estudo também alerta para a possibilidade de tempestades marítimas mais intensas. Nos cenários climáticos mais severos, as ondas poderiam ultrapassar 13 metros de altura durante eventos extremos, colocando sob pressão não apenas os portos, mas também a ferrovia que representa uma das principais formas de acesso à região.
A pesquisa foi coordenada pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) e pelo Instituto de Geologia Ambiental e Geoengenharia do Conselho Nacional de Pesquisas da Itália, com a participação de universidades e do próprio Parque Nacional das Cinque Terre.
Para os especialistas, a questão não é apenas ambiental, mas também econômica. O turismo é a principal fonte de renda da região e depende diretamente da preservação da paisagem, das praias, dos portos e dos serviços de mobilidade que permitem a chegada de milhões de visitantes todos os anos.
Entre as medidas sugeridas estão a modernização das estruturas portuárias, melhorias nos sistemas de drenagem urbana e o reforço das proteções costeiras. A ideia é adaptar o território a um cenário que já começa a ser percebido em diversas áreas do Mediterrâneo, uma das regiões consideradas mais vulneráveis ao aquecimento global.
O caso das Cinque Terre ajuda a ilustrar um desafio cada vez mais presente na Itália contemporânea: como proteger alguns dos lugares mais belos e emblemáticos do país diante das transformações climáticas que avançam lentamente, mas de forma contínua. Entre falésias, trilhas panorâmicas e aldeias históricas que parecem ter parado no tempo, o futuro da costa italiana dependerá cada vez mais da capacidade de conciliar preservação, turismo e adaptação ambiental.
Alerta para as Cinque Terre: enfrentam ameaça silenciosa do aumento do nível do mar

