O comércio exterior italiano começou 2026 em forte aceleração, especialmente nas relações com os mercados fora da União Europeia. Segundo dados divulgados pelo Istat, as exportações italianas para países extra-UE cresceram 11,3% em abril na comparação anual, enquanto as importações avançaram 5,8%.
Mas um dos dados que mais chamam atenção envolve justamente a América do Sul. As importações italianas provenientes do Mercosul dispararam 62,7% em relação ao mesmo período do ano passado, no movimento mais forte entre os principais parceiros comerciais da Itália. O avanço acontece em um momento em que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul começa a ganhar tração e a reorganizar fluxos econômicos entre os dois blocos.
Nesse cenário, o Brasil ocupa posição central. Maior economia sul-americana e potência do agronegócio global, o país vem ampliando sua presença nas relações comerciais com a Itália, tanto no fornecimento de commodities e produtos agroindustriais quanto como mercado estratégico para exportações italianas de tecnologia, máquinas industriais, alimentos, energia e bens de alto valor agregado.
Os números do instituto italiano de estatísticas mostram também uma forte expansão das vendas italianas para grandes mercados globais. As exportações cresceram 36% para a China, 39,4% para a Suíça e 12,1% para os Estados Unidos. O dado reforça a recuperação do comércio internacional italiano após meses marcados por desaceleração econômica e instabilidade geopolítica.
Mesmo com uma leve queda mensal nas exportações em abril, influenciada por operações excepcionais do setor naval registradas no mês anterior, o saldo comercial italiano voltou a crescer. O superávit chegou a 3,8 bilhões de euros no mês, enquanto o acumulado do primeiro quadrimestre já supera 17,5 bilhões de euros.
O avanço das trocas com o Mercosul é acompanhado com atenção tanto em Roma quanto em Brasília. Empresários italianos enxergam no Brasil uma porta de entrada natural para a América Latina, especialmente em setores ligados à infraestrutura, transição energética, agronegócio e indústria de transformação.
Ao mesmo tempo, empresas brasileiras observam na Itália uma ponte estratégica para acessar o mercado europeu, principalmente diante da perspectiva de redução gradual de tarifas e barreiras burocráticas prevista no acordo UE-Mercosul.
O resultado é um eixo econômico que ganha densidade justamente em um momento de reorganização das cadeias globais de produção e comércio.
Exportações Itália-Mercosul disparam e Brasil ganha peso estratégico

