Apesar de ser a cidade mais antiga da Europa, Roma estava quase 2 mil anos à frente das outras capitais. Cidades como Paris, no século XIX, possuíam sistemas de esgoto que despejavam tudo diretamente nos rios, principalmente no Sena.
Roma, por outro lado, já havia desenvolvido uma estrutura que hoje chamaríamos de uma verdadeira smart city. Um sistema urbano extremamente avançado, projetado para administrar água, resíduos, trânsito e higiene pública. Mas vamos por partes.
Cloaca Máxima
Esse é o nome do esgoto mais antigo de Roma. Já no século VI a.C., ele eliminava mais de 500 mil litros de água por dia.
A parte mais impressionante? Ainda funciona.
Aquedutos
Talvez uma das obras mais extraordinárias da engenharia romana. Roma possuía onze aquedutos, e eles não transportavam apenas água potável.
A água utilizada nas termas, por exemplo, era reciclada para limpar as ruas e alimentar o sistema de esgoto, evitando entupimentos e acúmulos de sujeira. O volume total ultrapassava um milhão de metros cúbicos por dia.
Fossas biológicas urbanas
Mas qual era a verdadeira diferença em relação às outras capitais europeias? Roma já havia introduzido um sistema de pré-filtragem do esgoto.
Debaixo das insulae, as habitações populares romanas, existiam fossas sépticas que decompunham os resíduos orgânicos graças às próprias bactérias produzidas pelos dejetos.
O líquido tratado seguia então para a Cloaca Máxima sem entupi-la. Paris, em 1850, despejava tudo diretamente no rio Sena, sem qualquer sistema de pré-filtragem.
A urina era taxada
O imperador Vespasiano, famoso também pela criação dos banhos públicos, impôs um imposto bastante curioso: a taxa sobre a coleta de urina.
O motivo? Os curtidores de couro utilizavam a urina para desengordurar as peles. Em muitos casos, ela era mais eficiente do que o próprio sabão.
Jardins suspensos… obrigatórios
Pois é. Todas as domus patrícias, equivalentes às mansões de luxo da época, precisavam ter um implúvio, ou seja, a bacia central destinada à coleta da água da chuva, cercada por plantas que filtravam naturalmente a água.
Esse sistema eliminava os sedimentos antes que a água chegasse às cisternas. As plantas não podiam ser cortadas, e as multas para quem descumprisse a regra eram altíssimas.
Trânsito
Imaginem que Júlio César proibiu a circulação de carroças de carga entre 6h e 16h, para reduzir poeira, caos e barulho no centro urbano.
Roma criou assim um dos primeiros planos de mobilidade urbana da história, já preocupado com a qualidade de vida da população. E os infratores? Eram açoitados nas praças públicas.
Termas
As termas não eram apenas locais dedicados ao bem-estar, mas também desempenhavam uma função de purificação da água.
Ao passar por diferentes temperaturas, do frio ao quente, muitos bactérias eram eliminadas.
Depois de purificada, a água era reutilizada até mesmo para irrigar os campos fora da cidade.
Roma e os romanos: uma população à frente do seu tempo, uma cidade no centro do mundo que ainda hoje continua impressionando pela engenharia, pelas infraestruturas e pela visão urbana. Estruturas que, em muitos casos, continuam funcionando até os dias atuais.

