A Itália decidiu transformar um dos símbolos mais fortes do seu patrimônio gastronômico em tema de debate nacional. A partir desta semana, começa o TourDop, uma série de encontros e seminários que vai percorrer cidades italianas, universidades e espaços culturais para explicar ao público o valor econômico, histórico e social dos produtos certificados com selo de origem protegida. A iniciativa foi divulgada hoje pelo portal italiano Magazine Qualità, especializado em qualidade e certificações agroalimentares.
Mais do que uma agenda técnica, o projeto tenta aproximar os italianos de um sistema que faz parte do cotidiano do país há décadas. Na Itália, siglas como DOP e IGP aparecem em alguns dos produtos mais famosos do mundo, do Parmigiano Reggiano ao Prosciutto di Parma, dos azeites toscanos aos vinhos do Piemonte. São selos que ligam alimento, território e tradição.
O selo DOP, Denominação de Origem Protegida, certifica que todas as etapas de produção acontecem em uma área geográfica específica e seguem regras rígidas. Já o IGP, Indicação Geográfica Protegida, reconhece a relação histórica entre o produto e determinada região, mesmo quando parte do processo ocorre fora dela. Na prática, funcionam como garantia de autenticidade e proteção contra imitações.
O TourDop nasce em um momento de fortalecimento internacional da chamada “Dop Economy”, termo usado para definir o enorme sistema econômico criado em torno dos produtos certificados italianos. Segundo os dados divulgados pela iniciativa, a Itália possui hoje quase 900 produtos com indicação geográfica reconhecida entre alimentos, vinhos e bebidas. O setor movimenta cerca de 20,7 bilhões de euros em valor de produção e supera 12 bilhões de euros em exportações.
Ao longo dos próximos meses, mais de 30 seminários devem reunir chefs, especialistas, universidades, produtores, estudantes e representantes de consórcios agrícolas em diferentes regiões italianas. A proposta é explicar de forma simples como esses produtos ajudam a preservar economias locais, paisagens rurais e tradições transmitidas há gerações.
O tema também interessa diretamente ao Brasil. O mercado brasileiro vem ampliando o consumo de produtos italianos premium, especialmente vinhos, massas, azeites, queijos e embutidos certificados. Em um cenário de aproximação comercial entre União Europeia e Mercosul, as certificações de origem ganham ainda mais importância como símbolo de qualidade e diferenciação.
Na Itália, porém, o assunto vai além da exportação. Cada produto certificado carrega uma história local, uma técnica artesanal e uma identidade regional. Em um país onde comida é parte da memória coletiva, proteger um queijo ou um vinho significa também proteger cultura, território e pertencimento.
TourDop leva a cultura dos produtos protegidos italianos às universidades e cidades

