O Giro d’Italia é uma corrida ciclística por etapas que acontece todos os anos nas estradas italianas.
Foi criado em 1909 a partir de uma ideia de três jornalistas: Tullo Morgagni, Eugenio Camillo Costamagna e Armando Cougnet.
É uma das três grandes corridas por etapas do ciclismo mundial, junto com o Tour de France e a Vuelta a España, e faz parte do circuito UCI World Tour.
Logo após o Tour, é considerada a segunda competição mais prestigiada do calendário.
Salvo as interrupções durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o Giro sempre foi disputado ao longo de três semanas entre maio e junho.
O percurso se desenvolve principalmente na Itália, com ocasionais passagens pelo exterior por razões esportivas e de marketing.
A largada muda a cada ano, enquanto a chegada costuma ser em Milão, sede histórica da La Gazzetta dello Sport.
Justamente da cor rosa do jornal nasce o símbolo mais icônico da corrida: a Maglia Rosa, usada pelo líder da classificação geral.
Recordes e grandes campeões
O recorde de vitórias (5 edições) é compartilhado por três lendas:
Alfredo Binda, Fausto Coppi, Eddy Merckx
O recorde de vitórias de etapa pertence a Mario Cipollini, com 42 triunfos.
A primeira edição: 1909
O primeiro Giro d’Italia partiu no dia 13 de maio de 1909 às 2:53 da manhã, de Piazzale Loreto, em Milão, com 127 ciclistas na largada. A primeira etapa, com impressionantes 397 km, terminou em Bolonha e foi vencida por Dario Beni.
O primeiro vencedor da história do Giro foi Luigi Ganna.
A era de ouro: Coppi e Bartali
Entre 1936 e 1955, o Giro viveu sua fase mais lendária, graças a campeões como:
Fausto Coppi, Gino Bartali, Fiorenzo Magni.
A rivalidade entre Coppi e Bartali não foi apenas esportiva, mas também simbólica: duas visões de Itália, dois caracteres opostos, um país inteiro dividido, mas colado ao rádio e às estradas.
Os anos de Merckx
Entre 1967 e 1978, o protagonista absoluto foi Eddy Merckx, apelidado de “O Canibal”.
Venceu 5 Giros em 7 anos, dominando o cenário e encontrando em Felice Gimondi seu principal rival.
Pantani: o retorno do sonho italiano
Após o domínio estrangeiro dos anos 80 e 90 (especialmente o de Miguel Indurain), a Itália reencontrou um herói: Marco Pantani.
Especialista em montanha, Pantani venceu o Giro em 1998 e, no mesmo ano, conquistou também o Tour de France, tornando-se o último italiano a conseguir a dobradinha.
Suas façanhas levaram milhões de pessoas de volta às estradas: a Itália parava para vê-lo escalar.
A era moderna
Após os anos marcados também pelo escândalo ligado a Lance Armstrong, o Giro viveu uma alternância de vencedores sem um verdadeiro dominador por muito tempo.
A partir de 2024, porém, surgiu uma nova referência: Tadej Pogačar, capaz de dominar tanto o Giro quanto o Tour, trazendo de volta uma dimensão épica ao ciclismo contemporâneo.
As camisas do Giro
Maglia Rosa: líder da classificação geral
Maglia Azzurra: melhor escalador
Maglia Ciclamino: classificação por pontos
Os percursos: esforço e geografia
O Giro atravessa a Itália em toda a sua variedade geográfica: etapas planas, etapas de colina, etapas de alta montanha, contrarrelógio.
Entre as subidas mais icônicas: Passo dello Stelvio, Monte Zoncolan, Etna, Passo del Pordoi.
O contrarrelógio
São etapas individuais em que os ciclistas partem em intervalos regulares.
Vence quem percorre o trajeto no menor tempo: é a disciplina mais “científica” do ciclismo, onde contam potência, aerodinâmica e gestão do esforço.
O significado do Giro
O Giro d’Italia não é apenas uma corrida.
É uma narrativa com mais de um século, escrita sobre asfalto e montanhas.
É esforço, identidade, paisagem e memória. Um país que se vê passar diante dos próprios olhos, a cada primavera, e que toda vez se reconhece um pouco diferente mas sempre o mesmo.

