Viajar caminhando, sem pressa, redescobrindo o território passo a passo. O que antes era visto como alternativa para poucos hoje se transforma em uma das tendências mais fortes do turismo europeu. E é nesse cenário que Bolonha dá um passo importante ao lançar a primeira feira italiana dedicada ao turismo a pé.
O evento, chamado Passo dopo Passo, marca um novo momento para o chamado turismo lento, um setor que cresce de forma consistente e que já movimenta centenas de milhares de pessoas todos os anos na Itália.
O turismo a pé tem raízes antigas na Europa. Durante séculos, rotas como a Via Francigena ou o Caminho de Santiago foram percorridas por peregrinos, comerciantes e viajantes. Hoje, essas trilhas ganharam uma nova vida, combinando espiritualidade, natureza e experiência cultural.
Na Itália, esse movimento se expandiu rapidamente nos últimos anos. Caminhos estruturados, sinalização, hospedagens adaptadas e serviços especializados transformaram o ato de caminhar em um produto turístico completo.
Um dos símbolos dessa transformação passa justamente por Bolonha. A Via degli Dei se tornou um dos percursos mais populares do país, ligando a região da Emilia-Romagna à Toscana por antigas estradas romanas que cruzam montanhas e florestas.
O trajeto, que pode levar de cinco a sete dias, oferece uma mistura única de paisagens naturais, história e gastronomia local, atraindo tanto italianos quanto estrangeiros.
A nova feira nasce com o objetivo de dar visibilidade a um setor que deixou de ser nicho. O turismo a pé já reúne mais de 300 mil caminhantes por ano e gera milhões de pernoites, mostrando seu impacto crescente na economia local.
O evento acontece em um espaço industrial requalificado da cidade, refletindo também uma tendência urbana: transformar antigos espaços em polos culturais e criativos.
Durante três dias, a programação reúne encontros, oficinas, caminhadas urbanas e experiências práticas, envolvendo guias, operadores turísticos e comunidades locais.
O sucesso desse modelo está ligado a uma mudança de comportamento. Cada vez mais pessoas buscam viagens menos aceleradas, com contato direto com a natureza e com as culturas locais.
Caminhar permite observar detalhes que passam despercebidos em outros tipos de viagem. Pequenos vilarejos, trilhas escondidas, paisagens que mudam lentamente a cada quilômetro.
Bolonha aposta nesse movimento como parte de uma estratégia mais ampla de turismo sustentável. A ideia é valorizar o território sem sobrecarregá-lo, distribuindo melhor os fluxos de visitantes e incentivando experiências mais conscientes.
No fim, o turismo a pé propõe uma inversão simples, mas poderosa. Em vez de correr para ver mais, convida a desacelerar para viver melhor. E talvez seja exatamente isso que muitos viajantes estão procurando hoje.
Bologna lança a primeira feira do turismo a pé e aposta no slow travel

