Entre montanhas verdes de Minas Gerais e histórias que atravessaram o Atlântico, um novo símbolo acaba de nascer em Poços de Caldas. A cidade recebeu a primeira instalação do projeto “Lanterna – Luz dos Ligures no Mundo”, iniciativa da Região da Ligúria que homenageia as comunidades ligures espalhadas pela América do Sul. A notícia foi divulgada pelo portal italiano Genova24.
A obra é uma interpretação artística da Lanterna de Gênova, o histórico farol que domina o porto da capital da Ligúria e que, durante séculos, foi a última imagem da Itália vista por milhares de emigrantes antes de partirem rumo às Américas. Para muitos deles, aquele farol representava despedida, esperança e também promessa de retorno.
A escolha de Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais, não é casual. A cidade tem uma forte presença de descendentes de italianos e mantém viva a memória da imigração que ajudou a construir sua identidade cultural e econômica.
A cerimônia de inauguração reuniu autoridades brasileiras e italianas, além de representantes da comunidade ítalo-brasileira local. Estiveram presentes o assessor regional para a Emigração da Ligúria, Paolo Ripamonti, o prefeito de Poços de Caldas, Paulo Ney de Castro Jr., a presidente do Circulo Italo-Brasileiro de Minas Gerais, Elaine Piva, e o arquiteto André Luiz Civitarese, responsável pelo projeto do monumento.
A presença de tantas famílias de origem italiana deu ao momento um tom especial. Para muitos descendentes, a Lanterna instalada em Minas Gerais é mais do que um monumento: é um símbolo de pertencimento e de memória compartilhada entre dois países.
Segundo Ripamonti, a iniciativa busca reforçar o vínculo entre a Ligúria e as comunidades ligures no exterior. O farol que um dia iluminou a partida de milhares de emigrantes agora reaparece como um gesto simbólico de reencontro entre a terra de origem e as novas gerações que cresceram do outro lado do oceano.
Para o prefeito Paulo Ney de Castro Jr., a cidade recebe um presente carregado de significado histórico. A imigração italiana teve papel fundamental na formação de Poços de Caldas e continua presente na cultura, na economia e na vida cotidiana da cidade.
O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla da Região da Ligúria para valorizar a identidade ligure no mundo e fortalecer relações culturais e econômicas com comunidades de descendentes. A ideia é instalar novas interpretações da Lanterna em outros países da América do Sul, criando uma espécie de rede simbólica de memória da emigração.
Durante a visita ao Brasil, a delegação italiana também participou de encontros institucionais na prefeitura de Poços de Caldas e visitou lugares emblemáticos da cidade, como a tradicional loja de vidros Ca’ d’Oro, administrada por uma família de origem italiana, e a histórica Fazenda Marianna, produtora de café há mais de um século.
No fundo, a Lanterna sempre foi mais do que um farol. Para gerações de emigrantes italianos, ela representou um ponto de luz entre passado e futuro. Hoje, instalada em solo brasileiro, ela continua cumprindo sua missão: lembrar que a história da imigração não é apenas uma viagem de ida, mas um vínculo permanente entre lugares, memórias e identidades.
