Existem cidades que parecem ter nascido para contar apenas uma história. Ravenna, durante séculos, foi a cidade dos mosaicos bizantinos, das basílicas douradas, dos túmulos de poetas e imperadores. Uma cidade que o mundo aprendeu a associar às suas pedras luminosas muito mais do que às ondas do Adriático. E, no entanto, o mar sempre esteve ali. Silencioso, estratégico, essencial.
Em 2026 essa ligação torna-se oficial: Ravenna foi proclamada Capital Italiana do Mar, um reconhecimento nacional que premia as cidades capazes de interpretar o mar não apenas como turismo de praia, mas como cultura, economia e visão de futuro.
A proclamação aconteceu no dia 4 de março de 2026, na Sala Monumental da Presidência do Conselho de Ministros em Roma, durante uma cerimônia institucional conduzida pelo ministro da Proteção Civil e das Políticas do Mar Nello Musumeci. Não se trata apenas de um título simbólico: a cidade vencedora recebe também um financiamento de 1 milhão de euros, destinado ao desenvolvimento de projetos ligados à chamada blue economy, à proteção ambiental e à difusão da cultura marítima.
Ravenna venceu uma concorrência importante. Entre as cidades candidatas estavam destinos com forte tradição portuária e turística, como Ancona, Brindisi, Taranto, Gaeta, Riccione, Santa Cesarea Terme e Policoro. O júri escolheu o projeto de Ravenna pela capacidade de integrar ambiente, pesquisa, economia e participação da comunidade.
Na verdade, Ravenna sempre teve uma relação especial com o mar. Na época do Império Romano, o porto de Classe, localizado a poucos quilômetros da cidade, era uma das bases navais mais importantes do Mediterrâneo. Dali partiam as frotas imperiais que controlavam o Adriático e as rotas comerciais rumo ao Oriente. Não é um detalhe menor: sem o mar, Ravenna provavelmente nunca teria se tornado a capital do Império Romano do Ocidente no século V.
Hoje essa relação continua, mas de formas diferentes. O porto de Ravenna é um dos principais portos comerciais do Adriático e a cidade possui mais de 35 quilômetros de litoral, com localidades balneárias que nos últimos anos vêm atraindo um turismo cada vez mais curioso: Marina di Ravenna, Punta Marina, Milano Marittima e Lido di Dante, entre outras.
O título de Capital Italiana do Mar 2026 chega justamente em um momento em que a relação entre cidade e mar está mudando. Já não basta falar apenas de praias e de estabelecimentos de verão. O mar passa a significar pesquisa científica, inovação energética, proteção da biodiversidade e educação ambiental.
Esse é o coração do projeto apresentado por Ravenna: transformar o mar em um laboratório permanente, onde universidades, empresas, instituições e cidadãos colaboram para imaginar um futuro mais sustentável para as costas italianas.
Nos próximos meses, Ravenna receberá eventos culturais, encontros científicos, festivais dedicados à cultura marítima e iniciativas de educação ambiental. O objetivo é ambicioso: transformar a cidade não apenas em um destino turístico, mas em um ponto de referência nacional para a cultura do mar.
Talvez o significado mais interessante desse prêmio esteja justamente aí. Ravenna não é a primeira cidade que vem à mente quando se pensa no Adriático. Não é Rimini, não é Riccione. É uma cidade de história milenar, de silêncios bizantinos, de arte antiga.
Mas exatamente por isso a escolha tem um valor simbólico: o mar não pertence apenas às cidades de praia. Pertence às comunidades que sabem contá-lo.
E Ravenna, há mais de dois mil anos, sabe contar histórias.
Como chegar a Ravenna
Ravenna é facilmente acessível tanto a partir do Norte quanto do Centro da Itália.
De trem, a estação ferroviária da cidade é ligada às principais cidades da região por linhas regionais e intercity, com conexões frequentes a partir de Bologna, Ferrara e Rimini.
De carro, é possível chegar pela autoestrada A14 (saídas Ravenna ou Cesena Nord) e depois continuar pela estrada rápida E45 ou pela SS16 Adriática.
O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Guglielmo Marconi, em Bolonha, a cerca de uma hora de distância, com ligação à cidade por trem ou ônibus.
Uma vez em Ravenna, o centro histórico pode ser explorado facilmente a pé ou de bicicleta, enquanto os famosos lidi ravennati ficam a cerca de vinte minutos de carro. E é ali que, de repente, o mar realmente aparece.

