Zungri. Não surpreende, não conquista, não seduz. Zungri permanece. Apoiada em suas próprias pedras, como se o mundo ao redor tivesse passado sem lhe dar tempo ou necessidade de reagir. No coração da Calábria, a poucos quilômetros de Tropea, quando o Tirreno deixa de dominar o olhar e a terra volta a ser dura, irregular, vertical, surge este vilarejo que nunca precisou se reinventar.
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Aqui, a pedra não é cenário. É estrutura mental, é linguagem do habitar. O vilarejo rupestre de Zungri não nasce para impressionar, nasce para durar. Cerca de quinhentas casas-gruta escavadas uma a uma no paredão rochoso, distribuídas em vários níveis, conectadas por uma longa escadaria aberta diretamente na montanha. Não há simetria, não há estética pensada para agradar. Há espaço, necessidade, adaptação. A rocha vira parede, teto, abrigo. E deixa de ser obstáculo.
Conhecido como Grutas dos Sbariati, o complexo ocupa quase 3.000 metros quadrados e observa o vale do riacho Malopera do alto, como se tivesse escolhido deliberadamente ficar à margem. As grutas nunca são iguais: ambientes únicos ou articulados, em um ou dois níveis, moldados seguindo as veias da pedra mais do que qualquer projeto humano. No interior, as nichos escavados revelam uma vida feita de gestos essenciais: guardar, dormir, proteger. Arcos e aberturas, por vezes surpreendentemente cuidadas, denunciam uma necessidade menos óbvia: diferenciar-se, deixar marca, tornar reconhecível até aquilo que nasce apenas para ser funcional.
O que mais impressiona é a relação com a água. Os antigos habitantes de Zungri sabiam lê-la, prevê-la, respeitá-la. Canais, tanques e conexões internas e externas conduziam a água da chuva a pontos precisos dentro das grutas. Um sistema simples, rigoroso, quase contemporâneo. Aqui, engenhosidade não era virtude estética, mas sobrevivência cotidiana.
A origem de Zungri continua esquiva. Os estudos indicam a época bizantina, por volta do século X. Silos, soluções arquitetônicas e a organização dos espaços apontam para uma comunidade estável, agrícola, profundamente enraizada. Mas as hipóteses se multiplicam: assentamento camponês, refúgio religioso, abrigo de populações em fuga. A teoria mais sugestiva é a dos Sbariati, religiosos errantes que teriam escapado da Sicília ou do Norte da África após invasões bárbaras. Pessoas obrigadas a recomeçar, escolhendo a pedra como aliada, não como limite.
O vilarejo “novo”, logo acima, mantém essa continuidade silenciosa. A civilização camponesa deixou marcas visíveis: o Santuário da Madonna della Neve, com um quadro atribuído a um pintor meridional da Escola Raffaelesca, e o Museu da Civilização Rupestre e Camponesa, que recompõe fragmentos de um mundo moldado pela terra e pelo trabalho. Na localidade de Macroni, escavações trouxeram à luz uma antiga villa romana e uma gruta com a figura estilizada de Cristo entalhada na arenito, como se épocas distantes tivessem escolhido a mesma linguagem para permanecer.
Há ainda Papaglionti Vecchio, o vilarejo fantasma. Casas abandonadas, paredes corroídas, silêncios que não pedem explicação. As enchentes obrigaram os moradores a subir a encosta, deixando aqui uma ferida aberta. Não é um lugar reconfortante. É um aviso: o tempo não destrói tudo ele escolhe o que deixa de pé.
O mar está perto, mas parece pertencer a outra narrativa. A Costa degli Dei se abre luminosa, quase excessiva, e Tropea domina a paisagem com seu penhasco sobre o azul, o Santuário de Santa Maria dell’Isola suspenso entre terra e água, as casas avançando sobre o vazio com naturalidade. Mais adiante, Zambrone estende suas praias claras até o horizonte, onde, nos dias límpidos, surgem as Ilhas Eólias.
Zungri, porém, permanece em outro plano. Não compete, não dialoga, não se adapta. É um lugar que não pede para ser compreendido de imediato. Observa enquanto você caminha entre suas pedras, deixa você passar e continua fazendo o que sempre fez: resistir, sem se explicar.



