sex. fev 6th, 2026

Tudo pronto para o Pitti Taste: chefs viram marcas e os gigantes do food batem à porta da Fortezza

Pitti Taste

Há um momento exato em que a comida deixa de ser apenas narrativa e se transforma em sistema. Isso acontece em Florença, dentro das muralhas espessas da Fortezza da Basso, quando o Pitti Taste volta a ocupar o espaço com a segurança de quem sabe que se tornou indispensável. De 7 a 9 de fevereiro acontece a 19ª edição do salão do gosto mais observado da Itália. E nunca como neste ano o recado foi tão claro: aqui não se vem mais só para provar, mas para se posicionar.

São 810 expositores, escolhidos entre mais de oitocentas solicitações. Cento e vinte entre estreias e retornos redesenham o mapa da feira, enquanto cerca de quarenta empresas aproximadamente 5% decidiram não confirmar presença. Mais do que crise, é a fisiologia de um mercado em movimento, sobretudo num cenário em que muitas feiras são bienais e o Taste insiste em ser anual. O jogo é grande: o setor agroalimentar italiano oscila entre 500 e 800 bilhões de euros. Números que atraem, inevitavelmente, os grandes grupos do food, cada vez mais interessados em uma vitrine que até poucos anos atrás era território quase exclusivo das nichos.

O evento ganha fôlego internacional. Os buyers estrangeiros crescem 19%: são 900 operadores de mais de 60 países, com novidades como Brasil e Coreia do Sul. Em 2024, dos 12.300 visitantes, 8.483 eram buyers, jornalistas e mídia. É esse perfil que explica por que os gigantes do setor estão pressionando para entrar. O Taste não é uma feira de multidão, é uma feira de relações. A hotelaria de luxo segue como mercado-chave, mas o horizonte se amplia: varejo premium, exportação, construção de marca.

A abertura, em 7 de fevereiro, também será simbólica. Maddalena Fossati será premiada por seu papel na promoção da candidatura da cozinha italiana a Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco. Um reconhecimento que dialoga com a Dieta Mediterrânea e com a arte do pizzaiolo napolitano, mas amplia o discurso: não apenas tradição, e sim cadeia produtiva, cultura e identidade.

O tema desta edição é “Cibo vero – True Food”. Aqui, não é slogan, é posicionamento. Entre as histórias mais interessantes está a da Ecopesce, empresa de Rimini que aposta na preservação da biodiversidade ao valorizar os chamados “peixes pobres”, aplicando técnicas de defumação normalmente reservadas ao salmão. Do Adriático à lagoa de Veneza, chega também a Ostrica Venere, que reinventou a mitilicultura para criar uma ostra de perfil doce e reconhecível. Pequenas produções, mas com uma ideia clara de futuro.

Além das degustações, espaço para reflexão. Estão previstos debates sobre fermentados, turismo gastronômico, novas pirâmides alimentares e a relação cada vez mais tensa entre crise climática e cozinha. Fala-se de panificação, da transformação do forno em bakery e também do panetone, cada vez menos sazonal e mais pensado para mercados externos que exigem produção contínua. Uma tendência que, segundo os organizadores, não deve colidir com a América Latina, mesmo diante de um possível acordo Mercosul, por diferenças de processos e posicionamento. Ainda assim, o cenário político europeu mostra que o tema está longe de ser pacificado.

O momento mais aguardado acontece no domingo à tarde. Três grandes nomes da gastronomia italiana estarão na Fortezza como produtores, não apenas como chefs: Massimo Bottura, Niko Romito e Raf Alajmo. É o sinal de uma transformação profunda: o chef como marca, a cozinha como plataforma produtiva. Um modelo que tende a se expandir nos próximos anos.

Do lado de fora, permanece a ausência do shop. Também em 2026 ele não será retomado, por ser considerado pouco sustentável e pouco representativo. Em seu lugar, um desconto de 20% via código distribuído na feira e a perspectiva de estender a promoção além dos dias do evento. Nos bastidores, a organização trabalha com os Correios italianos para garantir logística e cadeia do frio. Porque hoje o gosto não termina no estande: precisa chegar intacto ao destino.

Serviço

Pitti Taste acontece na Fortezza da Basso

Viale Filippo Strozzi, 1 – 50129 Florença (FI), Itália

Datas e horários

A edição 2026 será realizada de 7 a 9 de fevereiro de 2026.

Os horários exatos de abertura para visitantes são divulgados no site oficial. Normalmente, a feira ocupa todo o período diurno em cada dia do evento.

 Como chegar

De trem

• A principal estação é Firenze Santa Maria Novella, a cerca de 15–20 minutos a pé da Fortezza da Basso ou poucos minutos de táxi/ônibus.

De avião

• O Aeroporto de Florença “Amerigo Vespucci” fica a aproximadamente 4 km do centro da cidade.

• Conexões disponíveis por táxi, ônibus ou shuttle até a região central de Florença.

De carro

• Há estacionamento pago ao lado da Fortezza da Basso (“Fortezza Fiera”), com vagas limitadas.

Ônibus / shuttles

• Durante os dias da feira, costumam ser ativados serviços especiais de ônibus e shuttles. Recomenda-se verificar a confirmação e os detalhes no site oficial a cada edição.

 Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos online pela plataforma Pitti Smart, disponível no site oficial. É recomendável comprar antecipadamente em formato digital.

 Site oficial e contatos

Site oficial do Pitti Taste (clique)

Informações e suporte: seção Contacts / Contatti no site oficial.

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