O setor aéreo italiano vive um momento de crescimento acelerado. Entre 2019 e 2024, o tráfego de passageiros aumentou 14%, resultado superior à média da União Europeia e até ao desempenho da França. A expansão está diretamente ligada ao turismo internacional e à abertura de novas rotas, sobretudo para destinos fora da UE, o que consolidou o país como um dos mercados de aviação mais dinâmicos do continente ao lado da Espanha.
Esse avanço, porém, trouxe um efeito colateral: a infraestrutura está cada vez mais pressionada. Diversos aeroportos italianos já operam próximos à saturação durante os horários de pico, e a capacidade atual começa a não acompanhar o ritmo do crescimento. O risco é claro. Sem novos investimentos, a Itália pode perder competitividade frente aos grandes hubs globais, tanto europeus quanto extraeuropeus, como Londres, Paris, Madri e os megacentros do Oriente Médio e da Ásia.
A falta de expansão adequada de pistas, terminais e slots pode deixar o país fora das rotas internacionais mais estratégicas, reduzindo sua capacidade de atrair voos de longo curso e comprometer parte da economia ligada ao turismo, uma das maiores forças italianas.
Para entender a dimensão do desafio, basta observar os aeroportos mais movimentados do país. Roma Fiumicino lidera com mais de 40 milhões de passageiros anuais, seguido de perto por Milão Malpensa, que ultrapassa os 26 milhões. Na sequência vêm Bergamo Orio al Serio, com forte presença de voos low cost, e Veneza, Florença e Nápoles, que registram crescimento contínuo impulsionado pelo turismo internacional. Muitos desses hubs já trabalham no limite operacional, reforçando a urgência de intervenções estruturais.
Para evitar esse cenário, especialistas apontam a necessidade de acelerar processos de autorização, garantir regras estáveis e facilitar investimentos dos gestores aeroportuários. Sem uma modernização rápida e integrada, a Itália corre o risco de desperdiçar o bom momento conquistado nos últimos anos justamente quando a aviação global volta a crescer com força.
Tráfego aéreo na Itália cresce acima da UE e pressiona infraestrutura

