No coração verde de Roma, entre os caminhos sombreados da Villa Ada, volta a ser acessível um dos lugares mais significativos e menos conhecidos da história italiana do século XX: o bunker de Villa Savoia, refúgio subterrâneo da família real durante a Segunda Guerra Mundial. A recente reabertura ao público devolve aos visitantes um importante fragmento da memória da capital, onde acontecimentos dinásticos e história nacional se entrelaçam de forma quase cinematográfica.
A residência real no coração de Roma
Villa Savoia, hoje parte do grande parque público de Villa Ada, localiza-se na zona norte da cidade, ao longo da Via Salaria, numa área colinosa rica em vegetação que se estende por cerca de 160 hectares. O parque ocupa uma região habitada desde a Antiguidade, próxima da antiga cidade latina de Antemnae. A propriedade foi adquirida por Vittorio Emanuele III no início do século XX e tornou-se a residência romana da família real. O complexo tinha como centro a Palazzina Reale, elegante edifício neoclássico que hoje abriga a embaixada do Egito e que permaneceu como residência dos Savoia até o fim da monarquia, em 1946. Foi ali que ocorreu um dos episódios decisivos da história italiana: em 25 de julho de 1943, Benito Mussolini foi convocado pelo rei e, ao final do encontro, acabou preso, marcando a queda do regime fascista. Após a guerra, parte da propriedade foi transformada em parque público, enquanto o núcleo histórico da residência permaneceu ligado à memória da casa real.
O bunker dos Savoia
O bunker está localizado a cerca de 300 metros da Palazzina Reale, escavado na colina de tufo e escondido na área mais densa da vegetação da villa. Foi construído entre 1940 e 1943, quando o risco de bombardeios aliados sobre Roma se tornou concreto. O refúgio substituiu as caves da residência, utilizadas inicialmente como abrigo, oferecendo uma estrutura mais segura e tecnologicamente avançada. Concluído em maio de 1943, poucas semanas antes do armistício, o bunker representa um testemunho direto da guerra vivida pela monarquia italiana. A estrutura subterrânea tem planta circular com cerca de 200 metros quadrados e um acesso que permitia a entrada direta de automóveis com o rei e a família real. Portas blindadas, sistemas de filtragem de ar e instalações autônomas garantiam a sobrevivência mesmo em caso de isolamento prolongado. Após o fim da monarquia, o bunker foi abandonado durante décadas, até os trabalhos de restauração que permitiram sua reabertura aos visitantes.
A reabertura ao público
Com a reabertura, o bunker volta a ser visitável por meio de visitas guiadas que partem da entrada da Villa Ada na Via Salaria e permitem reconstruir a história da residência real e do refúgio subterrâneo. A visita não é apenas uma experiência arquitetônica: representa sobretudo uma viagem à Roma da guerra, quando a capital vivia sob a ameaça dos bombardeios e o destino da monarquia italiana era decidido entre as alamedas silenciosas de Villa Savoia. Hoje o bunker reaparece como um documento histórico concreto daquele período, escondido durante décadas sob a terra de um dos maiores parques de Roma, onde a paisagem natural convive com as marcas profundas da história do século XX.

