Em um mundo que corre cada vez mais rápido, a ideia de desacelerar à mesa virou
movimento global. Em 2026, a Slow Food Italia completa 40 anos e celebra
uma trajetória que começou quase como um gesto de resistência cultural.
O movimento nasceu em 1986, na cidade de Bra, no Piemonte, idealizado por
Carlo Petrini. A motivação era clara: reagir à expansão da cultura do fast food e à
padronização do sabor, defendendo as tradições locais, os pequenos produtores e
a diversidade agrícola. O que começou como uma resposta simbólica à abertura de
uma rede internacional de hambúrgueres na Itália transformou-se em uma rede
presente em dezenas de países.
Quatro décadas depois, o discurso vai além da gastronomia. Slow Food se define
como um movimento cultural e político que usa o alimento como ferramenta para
falar de identidade, memória, justiça social e sustentabilidade. O tema central
das comemorações de 2026 será a biodiversidade, vista não apenas como um
conceito ambiental, mas como garantia de adaptação e sobrevivência futura.
O espírito do movimento continua proteger a biodiversidade como um ato
de cuidado com o presente e com as próximas gerações. Para a associação, a
diversidade vai dos microrganismos às variedades vegetais, das raças animais aos
ecossistemas, incluindo também as culturas e saberes humanos.
Ao longo de 2026, o calendário será intenso. Em fevereiro, a campanha
“Aggiungi un legume a tavola” convida mais de 100 restaurantes e pizzarias da
rede Slow Food a valorizarem leguminosas locais ameaçadas de desaparecer. No
mesmo mês, em Bolonha, acontece a quinta edição do Slow Wine Fair, reunindo mais
de 1.100 expositores e cerca de 7 mil rótulos de 28 países, com debates sobre
trabalho justo, acesso à terra e futuro das áreas montanhosas.
Em março, o foco se volta para as florestas e para a cadeia produtiva da
castanha, com encontro nacional de produtores em Filattiera, na Toscana,
misturando debates, experiências e mercado de produtos artesanais. O ano ainda
dialoga com a Jornada Mundial da Terra e com o Ano Internacional dos Pastores e
Pastagens.
A história do Slow Food dialoga diretamente com
temas atuais. Mais do que defender comida “boa”, o movimento propõe comida
“boa, limpa e justa”. Quarenta anos depois, a mensagem continua atual: comer é
um ato político, e escolher diversidade é escolher futuro.
Slow Food completa 40 anos reforça a defesa da tradição, qualidade e sabor na culinária

