Romics transforma Roma em capital pop com quadrinhos, games e cosplay

Para quem não conhece, o Romics não é apenas uma feira. É um ponto de encontro que nasceu no início dos anos 2000 e cresceu junto com a cultura geek, acompanhando a transformação dos quadrinhos em fenômeno global. Hoje, chega à sua 36ª edição reunindo mais de 400 expositores e dezenas de milhares de visitantes.
O que começou como um evento de nicho se tornou um grande festival multidisciplinar. Ali, convivem autores consagrados, ilustradores independentes, fãs de anime, gamers e cosplayers. É um espaço onde diferentes linguagens se encontram e se misturam.
Entre os convidados mais esperados desta edição está Zerocalcare, um dos nomes mais influentes dos quadrinhos contemporâneos na Itália, conhecido por transformar histórias pessoais em narrativas universais. Ao lado dele, artistas internacionais, roteiristas, dubladores e criadores digitais ajudam a dar dimensão global ao evento.
Mas o Romics também é experiência. Shows ao vivo, concursos de cosplay, encontros com artistas e apresentações especiais fazem parte da programação. A presença de Giorgio Vanni, voz de aberturas icônicas como Pokémon e Dragon Ball na Itália, transforma o festival em uma verdadeira viagem afetiva para uma geração inteira.
Outro ponto forte é a Artist Alley, espaço dedicado a ilustradores e autores independentes, onde o público pode conhecer de perto quem cria histórias e personagens. É ali que muitas carreiras começam, mostrando que o evento não é apenas celebração, mas também plataforma de lançamento.
Ao mesmo tempo, o Romics reflete uma mudança cultural mais ampla. Quadrinhos, que durante décadas foram vistos como entretenimento juvenil, hoje ocupam espaço central na indústria criativa, influenciando cinema, séries, moda e música.
Para o público brasileiro, acostumado a eventos como a CCXP, o Romics revela uma versão europeia dessa mesma paixão. Talvez menos massivo, mas profundamente ligado à tradição artística e à história dos quadrinhos no continente.
No fim, o que acontece em Roma vai além de um festival. É um retrato de como a cultura pop deixou de ser periférica para se tornar protagonista. E, por alguns dias, a cidade eterna se transforma também em capital do imaginário.
