Roma como cenário de um drama barroco de arte, dor e beleza
Depois de quase uma década longe da câmera, Tom Ford retorna ao cinema com um projeto ambicioso e profundamente autoral: Cry to Heaven (Un grido fino al cielo), adaptação do romance homônimo de Anne Rice, ambientado na Itália do século XVIII, um período marcado por excessos, intrigas políticas e efervescência cultural.
Enredo e horizonte dramático
A história mergulha no universo fascinante e doloroso dos castrati, jovens evirados ainda na infância para preservar uma voz angelical, raríssima e extremamente valorizada nos teatros de ópera, igrejas e cortes aristocráticas da época. Símbolos simultâneos de glória e tragédia, esses cantores viviam entre o aplauso público e o apagamento de sua própria identidade.
No centro do drama estão um nobre veneziano traído pela própria família e um cantor de origem humilde, cujos destinos se entrelaçam em um mundo regido por poder, hierarquia e exploração. Unidos pelo talento excepcional, pela música e por um desejo profundo de reconhecimento, ambos são movidos por impulsos de redenção, ambição e vingança, em uma trajetória marcada por perdas irreversíveis.
O filme promete explorar temas como poder, identidade, sacrifício e a violência física e simbólica que se esconde por trás da busca obsessiva pela perfeição artística. Questões de gênero, corpo e controle social também emergem como pano de fundo, dialogando diretamente com a sensibilidade estética, emocional e provocadora de Tom Ford, conhecido por transformar dor e beleza em imagens de forte impacto.

