sex. mar 20th, 2026

Roma e a série tv #6 – The Young Pope (2016)

Com The Young Pope, Paolo Sorrentino transforma Roma em um espaço mental antes de ser geográfico. A série foi produzida por HBO, Sky Atlantic e Canal+. A narrativa constrói um grande afresco visual sobre fé, poder e representação. No centro está Lenny Belardo, o primeiro papa americano da história, que escolhe o nome Pio XIII e é interpretado por Jude Law. Jovem, ambíguo e magnético, seu pontífice é uma figura de negação. Ele recusa a visibilidade e rompe com as expectativas midiáticas. Roma assume uma dimensão austera. Mármore, sombra e silêncio definem a atmosfera. O eco dos corredores apostólicos e a solidão no coração do poder espiritual constroem uma cidade introspectiva e densa.

O Vaticano como teatro absoluto

As filmagens ocorreram entre Roma e reconstruções monumentais em estúdio. O espaço do Vaticano torna-se um teatro metafísico. A Basilica di San Pietro deixa de ser apenas símbolo religioso e passa a representar um poder fundado no mistério. A monumentalidade romana amplia o contraste entre modernidade e tradição. O papa jovem caminha com vestes brancas que lembram esculturas em movimento. Ao redor dele existe um mundo antigo sustentado por rituais milenares. Roma aparece como capital de um império invisível. Trata-se de um império espiritual e global.

Figurino e iconografia

O trabalho de figurino ocupa posição central. As vestes papais brancas dialogam com o vermelho cardinalício e com o ouro litúrgico. Cada tecido comunica autoridade. O traje não funciona como ornamento. Ele se transforma em declaração simbólica. O branco de Pio XIII expressa pureza e distância. A figura papal adquire dimensão pop ao circular entre capelas renascentistas e terraços romanos. A direção aposta em simetria e composições pictóricas. Roma surge filtrada por uma estética que aproxima arte barroca e cultura visual contemporânea. O sagrado ganha nova linguagem.

Fé, imagem e invisibilidade

A gestão da imagem constitui um dos eixos centrais da série. Em uma época marcada pela comunicação constante, o jovem papa escolhe a invisibilidade. Ele opta pelo silêncio e pelo mistério. Roma torna-se laboratório de uma nova estratégia simbólica. A ausência produz autoridade. O silêncio constrói poder. A narrativa sugere que a credibilidade nasce do enigma e da distância.

Roma como espaço do absoluto

Roma assume papel essencial. A cidade não representa caos urbano, mas concentração simbólica. O tempo parece suspenso. A História observa em silêncio as fragilidades do presente. The Young Pope apresenta uma meditação sobre o desejo humano de acreditar e sobre a ambiguidade moral do poder. Roma confirma sua força narrativa. Não é cenário passivo. É presença permanente que amplifica as contradições do homem contemporâneo.

Direção: Paolo Sorrentino
Elenco principal: Jude Law, Diane Keaton
Ano: 2016
Locais em Roma: Vaticano, Roma histórica, Cinecittà

Onde assistir: Prime Vídeo 

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *