Quando se fala em renda e desigualdade na Itália, existe um indicador que ajuda a entender melhor a situação das famílias: o Isee, sigla para Indicador da Situação Econômica Equivalente. Esse índice calcula a condição econômica de cada núcleo familiar e é usado pelo Estado para definir o acesso a diversos benefícios sociais.
O Isee considera renda, patrimônio, composição da família e outros fatores. Na prática, ele funciona como uma espécie de retrato econômico das famílias italianas. É com base nesse indicador que muitas pessoas conseguem acessar políticas públicas importantes, como auxílios sociais, bolsas de estudo, descontos em serviços públicos e o chamado “assegno unico”, o benefício mensal pago a famílias com filhos.
Um estudo do jornal italiano Corriere della Sera, baseado em dados atualizados do instituto de previdência INPS, mostra como esse indicador evoluiu ao longo da última década — e revela também profundas diferenças entre as regiões do país.
Em 2025, o valor médio do Isee na Itália chegou a cerca de 17.600 euros, com crescimento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior. O dado indica uma melhora geral, mas a distribuição territorial continua muito desigual.
No Norte da Itália, onde se concentram importantes polos industriais e tecnológicos, o valor médio ultrapassa 20 mil euros. No Centro do país, região que inclui cidades como Roma e Florença, o indicador fica pouco acima de 19 mil euros.
Já no Sul e nas ilhas, o cenário é bem diferente. Nessas áreas, o valor médio do Isee gira em torno de 14 mil euros, evidenciando um nível de renda mais baixo e maior dependência de políticas públicas de apoio.
A análise também mostra diferenças marcantes entre províncias. No topo do ranking aparece Lecco, na Lombardia, com um Isee médio de 23.465 euros, superando até mesmo a rica província de Bolzano, tradicionalmente associada a altos níveis de renda.
No outro extremo está Crotone, na Calábria, onde o valor médio fica em torno de 10.847 euros, um dos mais baixos do país.
O estudo também analisa a evolução do indicador desde 2016. Em algumas províncias, o crescimento foi bastante expressivo. A cidade de Modena, na região da Emilia-Romagna, registrou aumento de quase 90% no período, o maior avanço entre as províncias italianas.
Além das diferenças territoriais, os dados revelam também desigualdades entre tipos de famílias. Núcleos monoparentais ou com muitos filhos apresentam, em média, valores de Isee mais baixos, o que indica maior vulnerabilidade econômica.
Entre jovens e estudantes universitários, o indicador também tem grande importância, já que define o acesso a bolsas de estudo e reduções nas taxas universitárias.
Mais do que um simples número, o Isee se tornou ao longo dos anos uma ferramenta fundamental para entender a realidade social italiana. Ao cruzar renda, patrimônio e estrutura familiar, ele ajuda a revelar um país que continua economicamente forte, mas ainda marcado por diferenças históricas entre norte e sul.
Renda média das famílias italianas chega a €17.600, com forte desigualdade territorial

