Não é um projeto que se encerra. É uma viagem que encontra seu último porto, deixando para trás marcas profundas. Aromas, mãos cobertas de farinha, palavras que misturam italiano e português, olhares curiosos. Le eccellenze gastronomiche dell’Emilia-Romagna si presentano chega às suas semanas finais no Brasil e faz isso da forma mais autêntica possível: cozinhando, compartilhando, devolvendo.
O coração pulsante desta fase conclusiva bate em Salto, no estado de São Paulo, graças ao empenho incansável da Associação Emiliano Romagnola Bandeirante, que transformou a cozinha em uma ferramenta cultural, social e até educativa. Porque aqui a comida nunca foi apenas comida.
No dia 27 de janeiro de 2026, uma terça-feira, a Romagna entra em uma cozinha brasileira com a leveza das coisas verdadeiras. O trio de chefs de Forlì Loretta Arfelli, Valerio Giulianini e Serena Arfelli ministra um curso de culinária romagnola para mais de vinte pessoas de diferentes idades. Entre elas, também crianças e adolescentes. O local não é casual: a Casa de Belém, uma organização que acolhe temporariamente crianças vítimas de violência doméstica, encaminhadas pelo Conselho Tutelar ou pelo Tribunal da Infância e da Juventude de Salto. Toda a renda do curso é destinada à instituição. Aqui, a massa não é apenas massa: é cuidado, atenção, possibilidade.
Poucos dias depois, em 30 de fevereiro, o projeto se olha no espelho e reflete sobre o próprio caminho. Sentam-se à mesma mesa os presidentes e representantes das associações Emilia-Romagna ativas no Brasil: o Circulo Emilia Romagna de São Paulo, a Associação Cultural Emilia-Romagna do Rio de Janeiro, a Associação Vittorio Emanuele II, a Associação Emilia-Romagna do Rio Grande do Sul, a Associação Emilia-Romagna de Minas Gerais e a Sociedade Emilia-Romagna da Baixa Mogiana. Junto aos consultores Juliana de Carvalho Pedrassi Bin e Danilo Arfelli e ao vice-presidente da Consulta dos Emiliano-Romagnolos no Mundo, Eduardo Zampar Morelli, o projeto se transforma em visão compartilhada. Não celebração, mas consciência.
O dia 31 de janeiro de 2026 é o momento da síntese emocional. O Trio de Chefs Romagnolos prepara um almoço típico utilizando produtos de excelência da Emilia-Romagna para celebrar dois marcos que se entrelaçam: o encerramento do projeto e o 21º aniversário da Associação Emiliano Romagnola Bandeirante. Mais de cem pessoas participam. Não como convidadas, mas como parte de uma história que também lhes pertence.
E não termina aí. De 5 a 7 de fevereiro, a Romagna se desloca para o litoral paulista. Na sede litorânea da Associação Paulista do Ministério Público, no município de São Sebastião, distrito de Jureia, o trio oferece consultoria e ministra um curso, supervisionando a preparação de um jantar típico romagnolo para os hóspedes do período. Também aqui, a tradição não se exibe: trabalha.
O projeto, realizado com o apoio da Assembleia Legislativa da Emilia-Romagna por meio da Consulta dos Emiliano-Romagnolos no Mundo, atravessou o Brasil com seminários, degustações e provas de produtos DOP e IGP. Deixou uma mensagem simples e poderosa, compreendida por todos: em toda a Itália se come bem. Mas na Emilia-Romagna se come melhor.
E talvez o sentido último seja justamente esse. Não convencer. Fazer sentir. Quando um território consegue se contar sem levantar a voz, permanecendo fiel a si mesmo, então já não é promoção. É identidade em movimento. E, uma vez chegada, não vai mais embora.

