qui. mar 12th, 2026

Presidente da Confederação dos Italianos no Mundo visita SP e destaca papel e força da diáspora

No salão histórico do Circolo Italiano de São Paulo, entre representantes da comunidade, empresários e dirigentes associativos, a conversa gira em torno de um tema que atravessa gerações: o papel dos italianos que vivem fora da Itália. À frente desse debate está Angelo Sollazzo, presidente da Confederação dos Italianos no Mundo (Cim), organização que reúne associações da diáspora italiana espalhadas por dezenas de países e milhares de entidades associativas.

Durante sua passagem pela capital paulista, Sollazzo explicou que o objetivo da visita foi dialogar diretamente com a comunidade local e apresentar novas oportunidades de cooperação entre Itália e exterior. “A São Paulo tem uma coletividade italiana ativa, de grande nível também econômico. Como existem leis que permitem possibilidades de intercâmbio e também de financiamentos entre a Itália e o exterior, considerei importante vir até aqui para explicá-las pessoalmente”, afirmou.

A cidade, que abriga uma das maiores comunidades de origem italiana do mundo, representa para a Cim um ponto estratégico de encontro entre cultura, economia e identidade. Para Sollazzo, o Brasil é um exemplo claro de como a presença italiana no exterior evoluiu ao longo das décadas. “A batalha de fundo da nossa confederação sempre foi mostrar que os italianos no mundo foram por muito tempo subestimados”, disse. “Durante muitos anos, na Itália se pensava que quem emigrava era alguém que não tinha conseguido sucesso, que não era capaz de manter a própria família. Hoje sabemos que não é assim. Tudo mudou”.

Segundo ele, a história da emigração italiana precisa ser reinterpretada à luz do presente. “Hoje os italianos que vivem fora são uma grande riqueza, não apenas para os países onde vivem, mas também para a própria Itália. O nosso trabalho é justamente unir essas duas culturas e essas duas possibilidades econômicas”, explicou. “Queremos que todos os italianos do mundo possam se reconhecer neste grande espaço comum que é a Cim. Somos como um grande cesto onde todos podem estar juntos”.

A Confederação dos Italianos no Mundo nasceu há mais de três décadas, impulsionada por uma iniciativa que reuniu diferentes associações da diáspora italiana. “A organização nasceu há 32 anos por vontade do ministro para os italianos no mundo, Sergio Berlinguer, e também por iniciativa minha, que eu já me ocupava de política internacional”, recordou Sollazzo. Desde então, a entidade cresceu até se tornar uma das principais redes associativas da comunidade italiana global. “Hoje estamos presentes em 37 países e reunimos cerca de duas mil associações”, contou. “À Cim aderem tanto associações locais quanto federações nacionais”.

Um dos pilares da organização, segundo ele, é a independência. “Toda a política da Cim se baseia em um princípio muito claro: somos autônomos dos partidos, dos governos e dos sindicatos. Ninguém pode colocar um rótulo sobre nós. Essa autonomia foi fundamental para que a confederação se tornasse respeitada”.

Essa estrutura também permite reunir profissionais e iniciativas em diversas áreas. “A Cim se organiza por categorias. Temos associações de médicos no Canadá, engenheiros na Venezuela e muitos outros grupos profissionais”, explicou. “Também temos uma universidade internacional reconhecida e diversas atividades de formação”.
Ao lado das ações culturais e educacionais, a organização mantém projetos de caráter social. “Dentro da Cim existem associações humanitárias, como ‘Semi di Pace’, que envia médicos pelo mundo para operar crianças doentes e pobres”, disse. “Também desenvolvemos atividades de formação através de programas de estudo internacional”.

Outro tema central da atuação da entidade é a defesa dos direitos dos italianos que vivem fora do país. Sollazzo destacou algumas iniciativas recentes voltadas à comunidade emigrada e aos descendentes. “Nós travamos uma batalha contra a nova lei da cidadania, que prejudica muito os italianos no exterior”, afirmou. “Também conseguimos medidas importantes, como assistência sanitária para italianos residentes fora quando retornam à Itália, com a reinscrição no sistema nacional de saúde”. Entre as propostas defendidas pela confederação estão também mudanças fiscais para quem mantém propriedades na Itália. “Lutamos também para reduzir o imposto municipal sobre imóveis de italianos residentes no exterior”, explicou.

No entanto, para Sollazzo, a missão mais importante da Cim vai além das questões administrativas ou legais. Trata-se de preservar aquilo que ele chama de “italianidade”. “O aspecto principal é a difusão da italianidade”, disse. “Isso significa cultura, língua, identidade. Não podemos esquecer que o italiano é hoje a quarta língua mais estudada no mundo”. Esse movimento, segundo ele, ganha ainda mais importância com a passagem das gerações. “No passado falávamos dos antigos emigrantes. Hoje temos segunda, terceira e quarta geração. Esses descendentes são fundamentais para afirmar e manter viva a italianidade no mundo”.

Em cidades como São Paulo, onde a presença italiana moldou bairros, empresas e tradições culturais, essa ligação continua evidente. Para Sollazzo, encontros como o realizado no Circolo Italiano ajudam justamente a fortalecer essa ponte entre passado e futuro. A missão do Cim é reunir todos esses italianos espalhados pelo mundo e mostrar que eles fazem parte de uma mesma história. Uma história que continua crescendo geração após geração.

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