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Os 50 anos da tragédia do Cermis: quando um teleférico caiu nos Alpes matando 42 pessoas


No dia 9 de março de 1976, uma tragédia marcou profundamente a história do norte da Itália. Nos Alpes do Trentino, acima da pequena cidade de Cavalese, um acidente com um teleférico provocou uma das maiores catástrofes já registradas em uma estação de esqui europeia. Meio século depois, o episódio continua vivo na memória da região.

A chamada tragédia do Cermis ocorreu no final da tarde, pouco depois das cinco horas. Era uma das últimas descidas do dia do teleférico que ligava as pistas de esqui da montanha Alpe del Cermis ao vale. Dentro da cabine estavam 43 pessoas: turistas e trabalhadores que voltavam para casa após um dia nas pistas.

De repente, a estrutura que sustentava o teleférico cedeu. O cabo principal se rompeu e a cabine despencou cerca de 30 metros pela encosta da montanha, continuando a deslizar por mais de cem metros antes de parar em um campo. O impacto foi devastador.
O balanço final foi de 42 mortos.

As vítimas eram principalmente turistas europeus: 21 alemães, 11 italianos — entre eles estudantes de Milão —, sete austríacos e um francês, além do operador e de trabalhadores da instalação. Apenas uma pessoa sobreviveu: Alessandra Piovesana, uma jovem de 14 anos de Milão. Segundo os relatos da época, ela foi protegida pelos corpos das outras vítimas, que amorteceram o impacto.

O acidente teve enorme repercussão emocional na Itália e em toda a Europa. Durante semanas, jornais e televisões acompanharam as operações de resgate e as investigações que tentavam explicar o que havia acontecido.

As perícias indicaram que a queda da cabine foi causada por uma manobra irregular no sistema de controle do teleférico. De acordo com a acusação, os dispositivos automáticos de segurança teriam sido desativados para acelerar o transporte de passageiros. Durante uma intervenção manual, o cabo de tração acabou se sobrepondo ao cabo principal, provocando o rompimento e a queda da cabine.

Depois de anos de processos, a Justiça italiana considerou responsável o operador do sistema, Carlo Schweizer, que foi condenado por desastre culposo. Ele acabou cumprindo apenas alguns meses de prisão após medidas de anistia. O caso, no entanto, continuou gerando debates sobre responsabilidades e segurança nos sistemas de transporte por cabo.

Se a tragédia de 1976 já havia marcado profundamente a região, outra catástrofe tornaria o nome Cermis ainda mais doloroso para os italianos.
Em 1998, um avião militar dos Estados Unidos que realizava um voo de treinamento em baixa altitude cortou os cabos de um teleférico na mesma montanha. A cabine despencou imediatamente. Vinte pessoas morreram.

O episódio, conhecido como a segunda tragédia do Cermis, provocou uma crise diplomática entre Itália e Estados Unidos e causou forte indignação pública. O julgamento dos pilotos militares ocorreu nos tribunais americanos, gerando controvérsia e protestos na Itália.

Hoje, cinquenta anos depois do primeiro acidente, o Trentino lembra essas duas tragédias como parte de uma memória coletiva marcada pela dor, mas também pela necessidade de preservar a segurança nas montanhas que atraem milhões de turistas todos os anos.

Nas paisagens silenciosas dos Alpes, onde o turismo de inverno continua a prosperar, o nome Cermis permanece como um lembrete de que, por trás da beleza das montanhas, existem histórias que nunca devem ser esquecidas.

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