qui. mar 26th, 2026

O export de Prosecco cresce no mundo e Itália aposta na qualidade e tradição

O prosecco, um dos vinhos italianos mais conhecidos no mundo, continua a crescer. Em 2025, a produção do Prosecco DOC atingiu 667 milhões de garrafas, com alta de 1,1% em relação ao ano anterior. Mais significativo ainda é o destino dessas garrafas: mais de 82% foram exportadas, gerando um valor superior a 3 bilhões de euros. Os dados divulgados pela Confindustria confirmam uma tendência consolidada. O prosecco não é apenas um vinho popular, mas um dos principais símbolos do made in Italy no exterior.

Por trás desses números existe um sistema complexo, construído ao longo de décadas. O prosecco nasce principalmente na região do Vêneto, no nordeste da Itália, em colinas que hoje fazem parte do patrimônio da humanidade pela Unesco. Ali, entre vinhedos organizados com precisão quase artesanal, se produz um vinho leve, fresco e aromático, conhecido pelas borbulhas delicadas e pela facilidade de consumo. Características que ajudaram o prosecco a conquistar mercados internacionais, do aperitivo europeu às mesas brasileiras.

Mas nem todo prosecco é igual. A denominação DOC identifica a produção mais ampla, enquanto as áreas históricas e mais prestigiadas são classificadas como DOCG, como o Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore, que chegou a 98 milhões de garrafas em 2025 (+8%), e o Asolo DOCG, com 32 milhões (+16%).

Se por muitos anos o crescimento foi o principal objetivo, hoje o setor começa a mudar de foco. A expansão global trouxe novos desafios, especialmente na proteção da qualidade e da identidade do produto. A preocupação não é casual. O sucesso do prosecco gerou imitações e pressões comerciais, tornando essencial preservar os métodos de produção, as áreas geográficas e o valor cultural associado ao vinho.

Nesse contexto, produtores e instituições reforçam a importância de proteger a denominação e garantir que cada garrafa mantenha os padrões que fizeram a reputação do prosecco.

Parte do sucesso internacional também está ligada à história da imigração italiana. Ao longo dos séculos, milhões de italianos levaram consigo hábitos, sabores e tradições, incluindo o vinho.

No Brasil, por exemplo, o consumo de prosecco cresceu junto com o interesse pela cultura italiana. Hoje, ele está presente em celebrações, bares e restaurantes, muitas vezes associado a momentos leves e de convivência. Essa conexão ajuda a explicar por que mercados como Estados Unidos, Reino Unido e França continuam liderando as importações, com destaque recente para o crescimento francês, que registrou aumento de 18%.

Os primeiros meses de 2026 indicam uma leve oscilação, considerada técnica pelo setor, mas os pedidos já mostram sinais de retomada, especialmente com a demanda ligada a datas comemorativas como a Páscoa.

Mais do que números, o momento atual revela uma mudança de perspectiva. O prosecco já conquistou o mundo. Agora, o desafio é outro: preservar aquilo que o tornou único. Entre colinas italianas, técnicas transmitidas ao longo do tempo e um mercado global cada vez mais atento, o prosecco segue como um exemplo de como tradição e inovação podem caminhar juntas.

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